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De casa
- Ora, quem és tu, que nunca vi antes por aqui?
- Sou viajante de terras longínquas, e por aqui piso pela primeira vez. E tu, quem és?
- Não vês? Sou uma simples larva, que um dia há de virar uma pupa, para só então tornar-se uma borboleta. Mas conta-me, viajante, o que te trazes neste lugar? O que procuras?
- Meu caminho é a existência, e minha busca é o seu sentido.
- E por que andas com passadas tão largas? Cada passo pode ser decisivo...
- E eu não temo as decisões.
- Mas há de existir obstáculos. Quando o céu ficar cinza, a tempestade virá então dificultar teus passos...
- Quando isso acontecer, farei dela instrumento para lavar-me a alma.
- E os raios e relâmpagos te atormentarão o sono!
- Eles trarão luz para clarear minha estrada.
- Vejo que o que mais trazes em tua bagagem é coragem.
- Engana-te. São lições.
- E onde conseguiste todas elas?
- Preferes que eu descreva primeiro o céu ou o inferno?
E mais uma vez, ocorre um homicídio em meu quarto!
Minhas madrugadas têm se tornado trágicas a partir do término de frio conquistense, desde então, com o calor, monstros tiradores de sono, sanguessugas, obsessores e provocadores de coceiras têm, literalmente, infernizado as minhas noites e tentativas de dormida.
Eu realmente estou revoltado com a natureza das coisas. Só pra iniciar tenho pleno nojo e aversão a insetos, o que me deixa desanimado em viver só pelo fato de saber que esses seres são a maioria em toda a espécie de ser vivo. Tudo bem quando estes animais, a meu ver, nojentos, habitam demograficamente em grandes números as florestas e plantações e que só me irritariam em curtos períodos de trilhas florestais ou campings de final de ano. Porém, está acontecendo uma invasão no meu humilde quarto, e não sei como entender a multiplicação em forma geométrica dessas tão inconvenientes muriçocas, pois, aparecem sempre, mesmo depois de se ter exterminado mais de dez delas.
Milhares de vezes, já fiquei com um inseticida na mão, caçando as pequenas estúpidas voadoras cruzarem o meu olhar, para então, de forma rápida e precisa jogar-lhes um jato de spray bem na carinha delas pra que de uma vez por todas, me deixassem em paz, ou melhor, pra tentar ter um sono em paz.