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A mão invisível

Por Cauê Marques Ler mais textos de Cauê Marques
07 de fevereiro, 2010 | Um comentário

Adam Smith e o Revertério. Qual a relação que este ombudsman que vos fala vê entre os dois?

Adam Smith, economista e filósofo escocês, acreditava que uma “mão invisível” controlava o mercado. A própria sociedade, com suas necessidades e hábitos de consumo, determinaria o que o mercado deveria vender e em que quantidade, sem que o governo precisasse controlar quem estava vendendo e o quanto estava sendo vendido. É mais ou menos o que os autores do Revertério fazem quando escrevem seus textos. Como ninguém determina sobre o que eles podem escrever, escreve-se sempre sobre o que se quer, baseando-se apenas no que se espera que os nossos leitores queiram ler.

Desde o meu último texto, a mão invisível de Smith parece estar fazendo progresso com o Revertério. Política, poesia, cinema, carnaval e esportes – temas múltiplos, abordados de forma inteligente por todos os autores. Ninguém precisou determinar o que eles deveriam escrever para que todos percebessem que nenhum internauta gosta de mais do mesmo. Por isso, diversidade e inteligência tomaram conta do site e fizeram de cada novo texto uma agradável surpresa, sem exceções.

Wilson Júnior esteve excelente em “A Bahia de Nizan Guanaes”, em que analisa as recentes afirmações do publicitário baiano sobre o carnaval de Salvador. Eu poderia citar alguns erros de português que o autor insiste em cometer, mas já desisti da minha cruzada gramatical. Será a mão invisível do mercado jornalístico que, no futuro, deve punir Wilson e mais alguns reverteristas por seu desprezo pela norma culta. Mariana Lacerda também esteve boa em “Um estranho chamado Amor”. Em uma época de Comunicartes de análises extensas e muitos Controversos, um De Casa cumpre bem o seu papel de deixar o site mais leve.

Até Igor Luz surpreendeu com sua leveza nos últimos tempos. Talvez a mão invisível dos leitores tenha lembrado a ele que a sua polêmica adjetivada enjoa quando repetida em excesso. “Siga o coelho branco”, sobre o novo filme de Tim Burton e “O Haiti chora…” provam que o autor sabe falar de outra coisa além do seu incômodo pela atual administração petista. Seu texto sobre o Haiti merecia mesmo o Destaque da semana. Além de aprofundar o sentimento de tristeza já descrito por Muller Leandro anteriormente, Ígor trouxe dados novos e relevantes sobre o assunto.

É bom saber que o mesmo assunto pode ser abordado de forma diferente pelos autores do site. Ígor me deixou muito mais informado sobre o terremoto no Haiti do que Muller, que preferiu apenas evocar sentimentos. E “Um Brasil diferente”, de Enrique Escudero, aprofundou um assunto já tratado lá atrás por Wilson, em “Na pista e nos gramados tem gente voltando” – a volta de jogadores mais antigos para o campo. Se existem novas informações a serem apresentadas e um ponto de vista diferente do autor, por que não retomar um tema? Melhor do que deixar o leitor mal-informado. Senão, a mão invisível pode obrigá-lo a abandonar o Revertério e migrar para um site com informações mais atualizadas e completas.

Sobra pouco espaço para falar de “O eufemismo de Valter Pereira”, de Sâmia Louise e de “A música do carnaval”, de Diego Ribeiro. Sâmia, como sempre, está excelente. E Diego Ribeiro parece ter se descoberto falando de música e cultura pop. Se eu fosse a mão invisível, faria com que ele escrevesse sobre isso mais vezes.

Por fim, lembro a todos que a teoria de Adam Smith foi alvo de muitas críticas após o crash da Crise de 1929 nos Estados Unidos. Desde então, o mundo inteiro passou a assumir que o governo deve sim intervir na economia do país, mesmo que de forma mais sutil. Antes de hoje, eu também acreditava que alguma intervenção também deveria acontecer no Revertério: alguns autores pareciam estar escrevendo com pressa sobre qualquer coisa, só para ter um texto pronto para postar no dia. Mas se os textos continuarem como estão, o Conselho Diretor pode ficar tranqüilo. Sua única preocupação vai ser descobrir como aumentar a divulgação do site.

 
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Um comentário »

  • 1
    Ígor Luz :

    Excelente, Cauê.

    Ah, sim. Eu gosto muito do Adam Smith.

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