O ano de 2010 será único para o futebol brasileiro. Além de ser ano de Copa do Mundo, o país tem o prazer de ver os craques da Copa passada jogando por gramados tupiniquins. Mas o que isso significa de efetivo?
O retorno de grandes jogadores ao futebol nacional é um fenômeno estranho. É muito comum os jogadores experientes, sem mercado lá fora, regressarem ao Brasil para encerrar sua carreira. Mas o que falar de jogadores com mais seis ou sete anos de carreira que resolveram jogar aqui?
Isso acontece porque o futebol brasileiro é de baixíssimo nível técnico, então os jogadores que possuem uma técnica um pouco mais elevada se destacam facilmente. Dois jogadores retratam bem que esperam reencontrar a felicidade no Brasil para, enfim, voltar à Europa bem. Robinho e Adriano são eles.
No caso de Adriano foi algo, até certo ponto, inacreditável. O atacante, então da Inter de Milão, foi emprestado ao São Paulo para recuperar o seu futebol. Jogando pelo time brasileiro foi até bem e retornou com moral à Itália. Contudo, lá ele surtou. Não sei se foi depressão ou se foi uma estratégia imbecil. Mas o fato é que Adriano afirmou que não jogaria mais bola, isso no auge dos seus vinte e poucos anos. Pouco tempo depois ele conseguiu o que queria e voltou a jogar no seu clube de coração. No Flamengo, ele ainda é tratado como rei, com uma série de privilégios que não parece merecer tanto. É muito pouco provável que, após a Copa, ele continue no clube carioca. O destino deve ser novamente a Europa.
Já Robinho é a imagem de uma carreira mal traçada. No Santos ele era o melhor, sem dúvida. E ele achou que estava pronto para voar mais alto. Então forçou a saída do clube brasileiro e foi parar no Real Madri, um dos maiores clubes do mundo. Com promessa de ser o melhor do mundo em um ou dois anos, Robinho amargou o banco de reservas e não conseguiu ter uma série de jogos que empolgasse. Em baixa, ele conseguiu um feito incrível. O Manchester City pagou 42 milhões de euros para ter o craque. Na Inglaterra, Robinho não jogou nada. Absolutamente nada. Foi um ano e pouco de escândalos e confusões. A solução então foi retornar ao Brasil e jogar no Santos, onde foi feliz. O detalhe é que ele fica no clube paulista somente por seis meses.
Ainda podem ser adicionados a essa lista os casos de Ronaldo, que estava desacreditado, Roberto Carlos, querendo colocar um ponto final na carreira, e Fred, que estava esquecido no Campeonato Francês.
O Brasil, pois, ganha com isso. Lógico que o futebol daqui serve como trampolim. A Europa é o lugar de jogadores famosos e bem sucedidos, mas o Brasil está sendo visto como uma alternativa. Uma espécie de recuperador de craques.
Se isso estivesse ocorrendo em outros tempos acharia um absurdo, um desrespeito com o futebol jogado por aqui, mas a verdade é que o Brasil precisa muito mais desses craques do que eles precisam do país. O jeito é aguentar a prepotência de Robinho, a arrogância de Adriano e a falta de profissionalismo de Ronaldo. E até torcer por eles.





Comente!