“Mal entrou no site, e já vai sentar na janela?”, perguntou Henrique Escudero quando, pela primeira vez, sugeriram meu nome para ombudsman. Deram então à Emilãine Iemai, mais antiga na hierarquia do Revertério, a posição privilegiada de ter o vento acariciando seus longos e coloridos cabelos nesta coluna bi-semanal que agora assumo. Passava a ser de Emi a função de criticar todos os textos postados por aqui, na tentativa de melhorar a qualidade do que é publicado e incentivar os autores a escreverem cada vez melhor. Resultado: nossa elfa, que já era passageira do site há tempos, postou dois textos, desapareceu, e muito, muito tempo depois nos enviou um e-mail renunciando ao cargo.
O que aprendemos com isso? Que, para ser ombudsman, tempo de casa pouco importa. O ombudsman mais abrangente e corajoso do site até hoje (descarto Emi, por motivos óbvios de falta de assuidade) foi Ígor Luz. Quanto tempo de casa ele tinha? Quase nenhum. O ônibus que abarcava o Revertério havia acabado de dar a partida, quando Igor convenceu a patota a colocá-lo como ombudsman durante a viagem. Foi ele que, ao sentar na janela, recebeu as primeiras pedradas, atiradas por quem estava do lado de fora do ônibus. Lembram quando os outros semestres o acusaram de não saber o que era de fato o ombudsmato? E assim, quando Igor finalmente aprendeu a desviar de tais pedradas, começou a ser atingido não por quem mirava do lado de fora, mas do lado de dentro. Colegas de Revertério não aceitaram suas críticas e abandonaram o barco (ou seria o ônibus?), desistindo de escrever para o site.
Cabe a Igor o elogio de ter filtrado do Revertério muita gente sem coragem de reconhecer que escrevia mal. Assim como cabe a Escudero o elogio de ter ocupado a mesma poltrona que ele com grande habilidade e equilíbrio. Escudero gozou talvez da fase mais amena do site, em que a histeria de início de viagem já havia passado e os principais problemas de percurso ainda não existiam. E aproveitou o seu tempo de brisa na janela para dar o tom da “instituição” ombudsman: fugiu do principal pecado de Ígor ao retirar o excesso de sarcasmo dos textos e deixou o conteúdo mais tranqüilo, fácil de ser apreciado pelos leitores e até mesmo pelos autores criticados.
Já Sâmia Louise conseguiu ser a “ombudsman” mais deliciosa de todos os tempos. Confesso que meu domingo só era completo depois de ler as suas críticas severas, mas bem matriarcais. Ela foi a melhor escolha do site até agora, porque se tornou uma evolução natural do estilo de Escudero, com requintes da ironia de Igor. E olha que a janela em que Sâmia sentou nada teve de amistosa. Nossa primeira ombudskivinna enfrentou chuvas torrenciais de bons textos quando a nova leva de escritores do Revertério deu as boas-vindas, e também enfrentou períodos em que o motor do nosso ônibus parecia não funcionar de tão poucos textos que apareciam por aqui. Foi quando por vezes pensamos em desistir da viagem, e até retrocedemos no caminho.
Agora, cá estou. E quero logo mostrar serviço. Por isso, tive o trabalho de reler todos os outros ombudsmans que já passaram por aqui. Escolhi fazer do meu primeiro texto um ombudsman dos ombudsmans exatamente para relembrar aos leitores a função do cargo, e o seu amadurecimento ao longo desses dois anos de existência. Mas com isso, espero também relembrar aos mais desanimados quantos quilômetros já percorremos até agora. É hora de desisitir? Não. É hora de darmos uma recauchutada no ônibus e seguirmos viagem, sempre melhores, mais confiantes e mais profissionais.
Ressalto que não considero o ombudsman um cargo especial. Ao contrário, sentirei falta da minha liberdade de sentar em qualquer outra poltrona do ônibus, e poder escrever sobre o que eu quiser quando quiser. Mas agora que por vontade da maioria cá estou, prometo não pular da janela que me deram ou fugir à primeira pedrada. Seguirei o melhor dos meus exemplos: tentarei ser menos sarcástico que Igor, menos ponderado que Escudero, tão brilhante quanto Sâmia e mais pontual que Emi. Essa é a minha responsabilidade com o site. Espero que vocês tenham a mesma.




acho que não teremos motivos para arrependimentos por aqui ;)
Boa sorte, meu caro atrevido!
Caro amigo, fico feliz de ver o cargo em suas mãos.
Relembrei cada discussão que houve para que o Ombudsman viesse para o site. Valeu a pena.
Bom texto introdutório. Espero que você realmente consiga pegar o melhor de cada um dos ombudsmans que passaram pelo site. Só uma correção, é Enrique e não Henrique.
Sempre achei que seria um imenso desperdício não tê-lo por aqui. Ansiosa pelos próximos…
“É hora de darmos uma recauchutada no ônibus e seguirmos viagem, sempre melhores, mais confiantes e mais profissionais.”
E vida longa ao revertério!!!
tenho medo do seu reinado Cauê!!!rrsrsrs
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