“A consciência é a própria liberdade”. Não, não fui eu quem disse isso. Foi Sartre, filosofando. Mas e quando num país democrático feito o Brasil não se tem boa consciência política e a liberdade é confundida, pelos nossos representantes, com a libertinagem, o que acontece?
Nos últimos meses, têm-se veiculado na mídia, não ainda com a ênfase merecida, sobre uma crise do senado brasileiro. Uma esfera política que deveria zelar pela cidadania e primar pela ética e honestidade mostrou-se pervertida, suja e corrompida. Não que ela não fosse isso, antes da imprensa alastrar essas informações, transformando-as em escândalo e num grande circo de horrores. Mas é que agora os atos não são mais secretos, e o bueiro começa a exalar seu fedor.
Essa devassidão pública representa o falecimento da ética na política, e eu já me sinto até órfão de senado. A desordem que chefia nossa estrutura social é tanta, que será preciso exumar os últimos presidentes da República para que seja feito todas as averiguações dos crimes enterrados contra o povo brasileiro. O mais fedido e desagradável é pensar que o âmbito político está repleto de miseráveis desmemoriados, como o presidente da casa, José Sarney, que simplesmente não sabia que os R$3800 que recebia era de auxilio à moradia. Sem uma casinha de R$ 5 milhões de reais feito o Agaciel Maia, eu também exigiria auxilio residência. Justiça seja feita, oras. Falando em injustiça e desmoralização, quem ainda se lembra da farra do uso das cotas de passagens aéreas pelos nossos bondosos parlamentares, doando viagens generosas aos seus chegados e vizinhos? Uma das agraciadas foi a intelectual Adriane Galisteu, que iria ao exterior fazer uma cirurgia na cutícula do dedo anelar da mão esquerda, pois só na França tinha capacitados para tal atuação. Um ato nobre, muito nobre, nobríssimo. Espero ansiosamente pelo resultado da cirurgia. 
A perversão política brasileira vai muito além de oligarquias em trocas de favores, atos secretos, e filhos de presidente da câmara auxiliando ilegalmente empréstimos para os boçais do parlamento. Isso não é nada perante a imoralidade de uma escrota instituição que possui raízes podres antigas incrustadas na chefia desse banditismo. Até os bandidos têm sua ética, por que nosso senado não cumpre seu autoregulamento e para de prostituir-se aos ricos mandatários de nossa sociedade? Ou pelo menos param de achar que tudo caminha na mais perfeita paz. Certamente essa crise enfraquecerá o nosso planalto e carregará até os parlamentares competentes que, infelizmente, caíram nessa cilada coletiva.
Eu soube esses dias que até Lula prefere os panos quentes diante a deposição do José Sarney do comando do parlamento. Já sugeriram 60 dias de folgas remuneradas, mas o cão não larga o seu osso. E late e morde e violenta entrevistador do CQC para garantir seu alimento. Só não falo mal do pacífico presidente porque temos um colega aqui no Revertério com alta competência para tal atividade antipetista.
Mas essa bagunça permitida ainda acontece porque não é ano de eleição. Nessa época, o povo pode, enfim, ser percebido. Afinal, a presença de todos será requisitada. Então veremos todos indo às urnas: os loucos, os aleijados, os muito pobres, os famintos, os jornalistas diplomados e sem diploma unidos. Todos esfomeados por mais quatro anos de miséria, descaso e esquecimento. E aí a opinião pública voltará ser importante, as lixas não serão mais tão comercializadas, e o produto que estará em alta serão os pijamas com a cor do Brasil para torcermos por ele na copa.
E a sensação que ficará após as eleições é que tudo não passou de uma grande encenação circense. Os candidatos fizeram muito bem seus papéis: saíram às ruas, visitaram favelas, falaram com a população, até sorriram para os moradores de rua. E o povo, como uma grande plateia que participou do espetáculo: gritou de emoção, abraçou os personagens, acreditou nas promessas, se comoveu com as próprias dores, se sentiram assistidos. Creio que a ruindade dos nossos políticos é diretamente relacionada com a canastrice dos atores brasileiros. Os atores, que trabalham para nos enganar, emprenham seus papéis tão deprimentes, que o povo nem percebe quando um político mente. Parecerá, nessa época, que os escândalos e mensalões se findaram, pois não serão eles o alvo de audiência da tevê (conforta-me pensar que também não será o vômito de factóide explorado do Michael Jackson o grande lance). A solução para o Brasil é colocar todos nossos atores numa escola boa de arte dramática. Quem sabe assim o José Sarney não consegue emprego em “Som e Fúria”, a nova minissérie da Globo. Seria uma ascensão: da dupla jornada de palhaço e equilibrista do senado para o papel de figurante.
Depois disso só haverá nova temporada em 2014. O circo será novamente armado. Surgirão novos palhaços. O povo continuará sendo os malabaristas da fome e um novo show será preparado. O povo assistirá novamente às mesmas piadas e à mesma patetice no picadeiro do planalto. Isso tudo inconscientes de sua liberdade de mudar. E tudo se repetirá: o povo irá se fantasiar mais uma vez de verde-amarelo, clamará por “lula-de-novo-com-a-força-do-povo” e José Sarney não se suicidará, saindo da vida e entrando para a história da musica pop… Nada Mudará. Nada.




Excelente! O melhor texto do Revertério dos últimos tempos, embora ainda guarde os resquícios “factóides” dos tempos de elitização das palavras. De resto, acrescento que o pop do ano de eleição sempre será a Copa do Mundo: munidos pela ressaca de patriotismo no nosso futebol, eleitores votam como se torcessem para um time – o que vale é a emoção que o candidato passa, e não a sua seriedade. Parabéns Bruno! E continue assim.
Calma meu caro… aos poucos conseguiremos, através de sua cruzada pessoal, mudar isso. Meu “lexico” ainda é “esmeraldo”.
Tomara que eu não tenha me extendido muito, nem cometido muitos crimes gramaticais.
Quase chegou ao ápice da perfeição. Gostei do texto, é leve e sarcástico, me peguei
rindo da miséria como um dos dita brasileiros descrito no texto.
Os textos jornalísticos hoje não comentam e expõe o lado
feio da política(poucos os fazem) talvez por cansaço com uma pitada de descrença ou por um egoísmo, que para se ter publico ficam uma semana falando da morte de pessoas que muitos nunca se interessou, como é o caso da recente morte de Michael Jackson(sei que esse marcou a história, porém se fechar em cócoras só para esse assunto, nos impede de construir novas histórias para mudar um pouco essa realidade alienista)
Enfim…parabéns pelo texto, palavras afiadas
muito bom =)
Agora meu caro soh me resta fazer minha maquiagem e por meu nariz de palhaço!qro fazer palhaçada tbm!!!e em qser q dê risada!!pq no meu caso isso td eh muito tragecomico!
Quase ao ápice, perfecti um texto atual e altêntico.
gostei muito, é um texto leve e sarcástico. muito bom Bruno Silva…. E em saber que só me resta colocar o nariz de palhaça e começa a fazer palhaçada, iludida por fantasias parlamentaristas! “Viva o Grande Circo”
é amigo, essa é a nossa “Patria amada idolatrada…” Belo texto… Beijoss
Olá Bruno…sou amigo de Ariana e ela hoje me presenteou com esse artigo de primeira qualidade. Meus parabéns!! Se depender de mim, estaremos juntos para o que der e vier. Abraços.
Parabéns continui assim pois é na nossa juventude que está o futuro de amanhã ….beijosss
Simplismente Parabéns.
texto formidável,cujo o autor faz uma crítica com tons de ironia,o que reforça ainda mais o título do texto!
talvez( na minha humilde opinião) se tivesse algumas linhas citando a educação como pilar que sustenta tal espetáculo. Ficaria ainda mais brilhante,afinal.pessoas bem educadas(informadas) são menos aptas a ficar de mãos atadas a tais “espetáculos”
resumindo meu chará estava muito inspirado ao fazer essa pequena obra literária, pra Gregório de Matos e durmond nenhum colocar defeito!!
meus sinceros parabéns!!!
ótimo texto
Brunão meu caro, quando vc me convidou a ler esse texto e me contou o título já sabia que seria no mínimo, divertido. Mas hei que chego aqui e tenho essa grata surpresa, além de divertido, é contundente, crítico, perspicaz, pbjetivo, com aquele toque de politicamente (in)correto que nos faz ficar refletindo depois sobre o que acabamos de ler, além de uma utilidade ímpar e outros tantos adjetivos que caberiam… Agora vou ali correndo pq o número dos elefantes brancos já acabou e eu ainda nem terminei a maquiagem, sorte que o nariz vermelho é fácil de colocar…
Contrariando meu amigo Ígor, irei comentar os comentários: Mas esse último(Ícaro) ai foi, por demais, interessante. Nem eu pensava que cabia em tantos adjetivos. Queria falar pra Roberta que também estou cansado da exploração de Michael na TV e ja me sinto graduado no assunto. O restante agradeço, e lembre-se a palhaçada continua…
Hoje Dilma R. disse que não devemos “demonizar” o amável José Sarney… a crise “não é dele, é de todos”. Ou melhor, é de ninguém…
O povo entrou no corpo do texto, e os comentários, fervilhantes estão vestidos ao rigor do circo. criativos mesmo.
Enfim um rebuliço (REVERTÉRIO) por aqui.
_ Agora prometo só comentar de novo quando a gargantar arder.
Não vou comentar o texto pq tô numa canseira brava. Mas o assunto é bom e algum dia desses aí eu paro pra discutir aqui. Agora, uma observação é válida.
A crise no senado já existe há muito tempo. Pelo visto o senado só está aí pra criar crises e mais crises. Antes com Renan, agora com Sarney. No entanto, penso que não devemos cair no erro de achar que a roubalheira nunca existiu. Muito pelo contrário, ela já foi pior, muito pior.
Ficaria feliz se houvesse uma investigação precisa sobre tudo de ruim que movimentou esse país. Em especial, a privatização da Vale. Essa eu não vou engolir nunca. Não entendo como alguém gasta 20 mil pra reformar
uma casa e depois a vende por 15. Nem o valor gasto na reforma é levado em consideração. Era assim que FHC fazia… privatizava tudo, privatizava a preço de produto chinês (não usei banana pois essa sofreu um aumento).
No mais, já passou da hora do Sarney arrumar suas malas!
O texto tá bom, mas não deixa de ser uma versão piorada das ironias de Ígor Luz.
Nossa Bruno li seu texto e adorei
Ja vi q nos debates em sala de aula vc tera muito o q falar
Parabens futuro coleguinha!!!!!!!!!!
Magnifico o texto.Genialidade sendo ejaculada.
Enfim, nada que me surpreenda ocorre no Senado.
Humanos.E humanos burros, ainda por cima.
Saudades de minha Alemanha.
Eu nem sabia dessas notícias… HUAIohUAhioUAh
Poderia sentir-me envergonhado, mas, como você sabe, sou um alienado assumido quanto ao reino dos homens, rsrs…
No entanto, obrigado por multiplicar sua indignação, por me permitir o acesso a seu enfoque crítico das coisas, mais confiável do que aquilo que vem da boca do casal Bonner.
Isso me poupa o trabalho de buscar os fatos nas fontes frias da informação, meditá-los e assim, ter alguma competência para me posicionar.
Terceirizei meu senso crítico! Vai fazer falta quando acabar o contrato!
Ótimas idéias, ótimo texto!
O Senhor te abencoe!
Bom texto..os novos oculos devem ter ajudado!
Apesar dos “Gofos” de alguns, muitos sairam daqui, não só com um posicionamento, mas com uma indignação. Trabalho cumprindo. Até o próximo artigo , que não pretende ser, de um “bom” jornalista, frio… rsrs
Você, brilhantemente, conseguiu fazer o circo do
senado, ser quase tão engraçado quanto os tradicionais…
Não é segredo que eu amo teus textos mais simples, cotidianos… todavia, este se tornou um dos meus prediletos.
Este, apesar de venonasamente crítico (rs), tem
um toque leve, cômico…
É certamente um dos seus melhores post`s, senão o melhor!!
És um exímio escritor!!!
Parabéns!!
Bruno.. ta se superando veio…
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