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O teste

Por Enrique Escudero Ler mais textos de Enrique Escudero
29 de junho, 2009 | Comentar

A Copa das Confederações teve seu jogo final nesse domingo e o Brasil, com uma virada espetacular, foi o grande campeão. Mas que lições podem ser tiradas dessa competição preparatória para a Copa do Mundo de 2010?

Primeiramente, eu não vou cair no clichê de dizer que o Brasil é isso ou aquilo porque foi campeão. Aliás, ser campeão da Copa das Confederações para o Brasil não é algo muito proveitoso. Na última, em 2005, o Brasil deu show e na Copa do Mundo do ano seguinte deu choro. Outra coisa que não pode ser tão valorizada é a derrota espanhola para os EUA. Nada de voltar naquele blá-blá-blá de que o time espanhol amarela. A Espanha tem um bom time. Fez uma Eurocopa de alto nível. Mas também não é a seleção imbatível que, por alguns momentos, pareceu ser.

Vamos analisar o que de fato podem ser considerados lições. A péssima campanha da Itália, com certeza, é algo para deixar a atual campeã do mundo preocupada. O time é muito envelhecido e algumas peças importantes na conquista do mundial já não aparecem com tanto brilho. Além do fiasco italiano, há de se salientar que os americanos são taticamente eficazes e podem endurecer para alguma seleção tradicional na próxima copa.

O mais importante, no entanto, é a questão estrutural da próxima sede da Copa do Mundo. O racismo, pelo que se percebe de longe, não parece ser o problema que já foi em anos atrás. É até estranho dizer isso, pois, recentemente, tivemos um suposto caso de racismo dentro do campo de futebol aqui no Brasil. O que é, de toda e qualquer forma, inaceitável, mas pode ser um exagero.

A África do Sul já apresenta potenciais problemas para a Copa de 2010. Um deles é a situação financeira de quem realmente gosta de futebol naquele país, os negros. Alguns jogos da Copa das Confederações, que não tiveram a presença de grandes seleções, o que será normal no mundial, apresentaram públicos pequenos. Tanto que a FIFA abriu os portões, liberando a entrada de graça para quem se encontrava do lado de fora dos estádios. Será que na Copa do Mundo ocorrerá a mesma coisa? E os transportes também pecaram e preocupam. A Copa de 2010 pode ter até cidades-sedes fixas para as seleções cabeças de chaves na primeira fase, não possibilitando que algumas cidades recebam um maior número de jogos.

A Copa do Mundo ser realizada no continente africano é uma necessidade. Como também é uma necessidade a competição vir para o Brasil em 2014. Uma oportunidade de crescimento para essas regiões. Mas é complicado dizer que a África do Sul está totalmente apta para sediar um evento desse porte. A Copa das Confederações foi, na verdade, um teste para esse país. E alguns problemas, como já era de se esperar, foram detectados. Resta agora tentar solucioná-los. E que o barulho infernal das cornetas, as vuvuzelas, não faça parte dessa lista de problemas para a FIFA.

 
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