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O novo e vigoroso “velho”

Por Bruno Silva Ler mais textos de Bruno Silva
25 de junho, 2009 | Comentar

Ultimamente tenho sentido na pele o que é estar limitado fisicamente. Quem me viu essa semana, percebeu um dedo enfaixado, justo o indicador direito, necessário em funções básicas como a simples atividade de escovar os dentes e “coçar” o nariz. Mas não vim aqui falar de insuficiências, pelo contrário, vim falar da boa e esperada velhice.

idososSe há algo na vida que todos humanos têm em comum é a fragilidade. Seja física  ou psicológica, em menor ou maior grau, ela é sempre presente em todas as culturas, etnias e idades. Apesar da velhice ser aliada diretamente com a fraqueza e uma porção de doenças, não é bem assim que acontece. As dificuldades dessa fase estão mais ligadas às condições saudáveis ou não que você se habitua a viver desde a juventude, e ao preconceito intrínseco que gerenciam muitos jovens e idosos que “odeiam” discutir a “melhor idade”. Isso mesmo, a velhice às vezes não é encarada de maneira simples e em tantos momentos é mero objeto de repulsa de pessoas que mal sabem o quanto ela é imprescindível e prazerosa por se limitarem em vê-la apenas discutida na televisão.

Há um discurso de autonegação muito forte em algumas propagandas que querem atingir o “velho”, oferecendo-o uma jovialidade permanente. A tentativa de fugir da velhice estética, com maquiagens, cosméticos em geral e até cirurgias “reparadoras” auxiliam na firmação do preconceito que os próprios idosos detêm e esses paradigmas que ligam o desuso à velhice acaba atravessando gerações. Vai se recompondo a carcaça e deixando-se perder a essência humana maior que está dentro, o conteúdo, a maturidade: verdadeiros sinônimos desse período da vida.

O Brasil é um dos dez países do mundo com maior número de pessoas acima de 60 anos: 16 milhões. É a faixa etária da população que mais cresce, e umas das classes menos assistidas pelo governo. Em Senhora do Destino, novela de Aguinaldo Silva reprisada atualmente no vale a pena ver de novo da emissora Globo, podemos acompanhar o caso do “seu” Jacques estrelado por Flávio Migliaccio, um senhor cáustico e amargo que teve sua aposentadoria calculada de forma errada (para menos) pelo INSS e seu pedido de revisão está tramitando há oito anos, um estereótipo bem representado na mídia como o “velho” desesperançoso e rabugento, que espera apenas sua morte sem vigor e nem vontade. Mais um trabalhador desalentado pelo estado após tantos anos de préstimos. Em contrapartida, na mesma novela apresenta um casal diferente de velhinhos. Felizes e enérgicos, a parceria de Raul Cortez (falecido em 2006) e Glória Menezes, no papel dos barões alegres e empolgados fascina quem se dispõe a ouvir suas historias do passado, representando bem uma velhice saudável e indiscriminada.

“as pessoas querem se manter jovens, mas você tem que envelhecer bem…”. Disse uma senhora alheia ao ser abordada, por mim, sobre o avançar da idade. Ela admite usar de todos os produtos comercializáveis que prometem o rejuvenescer, mas se acha disposta a encarar sua velhice sem discriminação. Por outro lado, há uma porção de “velhos-novos”, que se ridicularizam em algumas atividades e encaram situações “não aconselhadas” por muitos geriatras, como “beber e fumar até o sol raiar”. Provas de um preconceito imaturo. Não acho os senhores que se empacotam em bermudões e gostam de surfar, praticar rafting, etc., são, em todos os casos, sujeitados pela condição “desvirtuosa” de envelhecer, só não acho honesto consigo mesmo usarem desses comportamentos em nome de uma juventude que, explicitamente, já passou.

Sobretudo, é preciso despreencher a palavra “velho”- mal vista no discurso politicamente correto – de rabugem, cansaço e inutilidade. Depois é necessário saber que a velhice não é evitável, deve ser discutida e não limita a quem a espera com energia. Será imprescindível, também, dar um novo sentido à “velhice”, afinal essa é a idade que por si só respira sabedoria, prudência e vigor.

 
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