É época de São João, e esta data nos lembra o empolgante estilo musical denominado forró. Mesmo após o feriado do referido santo este ritmo de dança faz parte das festas durante um bom tempo. Cá para nós, ele é sempre bom para dançar, independente do gênero.
O ritmo possui semelhanças com o toré (dança indígena), com os ritmos binários portugueses e holandeses e com o balançar dos quadris dos africanos. A dança também tem influência direta das danças de salão européias.
Inicialmente o forró apenas designava bailes, festas e os locais onde aconteciam. Somente mais tarde é que passou a ser considerado um gênero musical e um tipo de dança com muitas variações. Dentre as inúmeras versões para a origem do nome a mais aceita é a do folclorista e pesquisador da cultura popular Luiz Câmara Cascudo. Segundo ele a palavra “forró” deriva de “forrobodó”, palavra de raiz bantu (tronco lingüístico africano) que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem.
Na versão popular é freqüente associar a origem da palavra “forró” à expressão da língua inglesa for all (para todos). Para esta foi construída uma curiosa história: no início do século XX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco para construir a ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, chamados “for all”. Com o tempo o termo passou a ser chamado “forró”.
O ritmo tipicamente nordestino tornou-se conhecido no início da década de 1950. Os imigrantes do Nordeste foram os grandes colaboradores para o seu sucesso. Atualmente é conhecido em todo o Brasil, mas ganhou algumas variações de gênero, tais como:
O xaxado: é uma dança do agreste e sertão pernambucano, provém do som que os sapatos faziam no chão ao dançar. Costumava ser bailado inicialmente somente por homens. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.
O côco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, é uma fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.
O xote: Dança de salão de origem alemã, surgiu nos salões aristocráticos na época da Regência – final do séc. XIX. Conhecido originalmente com o nome schottisch, dominou no período do Segundo Reinado incorporando-se depois às funções populares urbanas, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais.
O vanerão: é o forró dançado no sul do país. Caracteriza-se por ser uma dança em que os pares giram pelo salão com imensa mobilidade e rapidez.
O forró “original” difundido por Luiz Gonzaga era composto unicamente por triangulo, a tradicional sanfona, e zabumba. Hoje sabemos que o ritmo teve várias mudanças, nem tanto ruins. Afinal com todas as transformações tecnológicas este estilo não poderia ficar restrito apenas a três instrumentos. Na década de 1990 ele passou pela primeira ressurreição, tendo como causa a lambada que modificou também a maneira de dançar. E em 2000 passou novamente por uma mudança. Nesta época houve o aparecimento do “forró universitário”, surgido entre universitários de São Paulo e na região de Itaúnas no Espírito Santo. Os jovens então redescobriram o jeito romântico e melódico dos xotes de Luiz Gonzaga.
Este estilo musical é contagiante, não dá para ouvir e ficar quieto na cadeira, o bom mesmo é remexer o esqueleto, pois traz benefícios psicológicos e físicos. No forró uma pessoa de 50 kg a 70 kg queima 5,0 kcal/min; até 80 kg queima 6,0 kcal/min; e a partir de 80 kg a 100kg queima 7,0 kcal/min.
Dentre os efeitos positivos do simples ato de bailar (não importa o tipo de dança) está a melhoria da capacidade cardiorrespiratória e circulação periférica, diminuição da pressão arterial, perda calórica, fortalecimento muscular, proteção das articulações e atenuação das dores.
Socialização, combate à depressão e à timidez, alegria, auto-estima elevada e disposição para encarar as dificuldades do dia-a-dia são apenas algumas das transformações que se nota em quem se arrisca a adentrar no mundo da dança. Então, já que nestes dias dançar forró faz parte da nossa cultura, aproveite para aprimorar sua qualidade de vida, em todos os sentidos. Mas não apenas no mês de junho. Talvez o forró seja o caminho, não perca a oportunidade, dance, sempre!





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