Poucas coisas são mais cultuadas que a paixão romântica. É bonito, dizem, estar apaixonado. Você volta a ser um pré-adolescente sonhador, cheio de espinhas, iconoclasta, mesmo que já tenha passado dos 20. Você retoma a criatividade perdida há tempos. É capaz de escrever versinhos lindamente medíocres e – eca! – mandar flores. Você se olha com renovado interesse no espelho. Capricha no penteado depois de anos de desleixo. Ficar procurando impressionar a moça, tentando aprender tocar violão, com um dedilhado que será inevitavelmente tosco. Canta alto no chuveiro velhas músicas esquecidas do Flávio Venturini. Vê beleza nos jardins floridos e – pior de tudo – no pôr-do-sol. É um deslumbramento só.
A paixão é linda, é o que dizem.
E é também horrível. Ela nos rebaixa e humilha. A paixão nos faz burros, ridículos, irresponsáveis, otários. O mais complicado é que ela faz tudo isso e ainda nos engana: temos a convicção de que ela nos torna o posto. Charmosos, quase irresistíveis. Acorda. Você fica patético.
O apaixonado é um sofredor. Ele não dorme. Ele come mal. Se ela telefona, ele tem uma crise de euforia. Se o telefone emudece, é motivo de depressão. Se ela corresponde, ele é o rei do mundo. Se não, ele pensa alternadamente em matar ou morrer. Às vezes, nas duas alternativas. Ou numa terceira, se ela estiver interessada em outro cara.
Os filósofos discordam em tudo, mas concordam nesse ponto: a paixão é miserável. Se você conseguir se livrar dela, se você for forte e perseverante o suficiente para dominá-la, você vai ser um cara feliz. Não vai acordar seus amigos durante a madrugada para desabafos intermináveis. Nem se deixará levar pelo egocentrismo insuportável do apaixonado, para quem a vida se resume a ele e ela. O resto que se exploda. A paixão fecha os ouvidos. O idiota só fala. Não consegue escutar nada e ninguém fora do limite desse amor boboca. Tente conversar com um apaixonado. Ele não vai registrar nada do que ouvir.
Sinto pena dos apaixonados.
Como se sabe, existe o falso-apaixonado. Aqui o cara pode até mandar flores e escrever versos, mas tem outra mulher por trás. Ou outras. Se ela liga, bom. Se não liga, você vai pro bar e para as festas. O falso-apaixonado é aquele cara que cisma com uma mulher, mas não se importa verdadeiramente com ela. Não perturba os amigos e – principalmente – não canta Flávio Venturini. O falso-apaixonado brinca, ri, dorme e faz tudo no limite. É um cafajeste de categoria. Se no fim, tudo der certo e o falso-apaixonado ficar com a garota, tudo bem. Ela deve durar uns dois meses. Se não, parte para outra, sem antes fazer um bom drama. Existem quatro mulheres para cada homem no mundo. E mais três, porque você, miseravão, vai ficar com as outras que o bocó apaixonado, com toda certeza, vai deixar passar.
Uma paixão está rondando você? Chute, meu amigo, antes que seja tarde demais.
…





Não acho a paixão patética, há outras formas de sentí-la!
Mas o pior é que,
“É um cafajeste de categoria. Se no fim, tudo der certo e o falso-apaixonado ficar com a garota, tudo bem. Ela deve durar uns dois meses.”
isso é verdade!!
ameeei ?
o melhor!
;)
“A paixão nos faz burros, ridículos, irresponsáveis, OTÁRIOS.”
muiiito boom!
?
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