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1º Manifesto Misturista

Por Emilãine Iemai Ler mais textos de Emilãine Iemai
22 de outubro, 2008 | 3 Comentários

Ontem a gente viu o presepício
    Nos convidando a fundar a Pratocimudade
    Mas, derrepentemente, a gente virou Misturista.

Mistura tudo!
    A gente mistura conceito com parte
    E mistura a arte - que é o que é engraçado -
    A gente faz crônica pra tecer comentário.
    (e, no fim do mês, o saldo da energia te engole)

A gente mistura o que a gente nem tem
    Mistura fé com dinheiro
                 pandeiro com alaúde
    E a gente mistura ginga pra dizer ser brasileiro

A gente misturou idioma
    e agora cobra copyright
    (E há a mistura gringa pra dizer que é homem)

A gente mistura cor pra pintar o cabelo
    E também mistura roupa pra criar tribo
                 eU gRITO: a minha tribo é tupi-guarani!

Agora a gente mistura inglês - e desde quando não misturou? -
    E suspira globalização
    Já inventaram até aldeia global
    Ah,
    Mas nem se anime, porque não cabe todo mundo.

A gente diz que quer melhorar tudo
    mas a gente somos agente da passiva
    A gente olha o erro e fica calado
    (senão o ofendido te xinga de mal-amado!

e desde quando não se é hoje em dia?)

A gente usa fotografia como se usasse chinelo
    pouca qualidade, muito excreto
    Discreto, discreto, surge um herói aqui e ali
    midiático.

Talibã católico já se vê hoje em dia
    Não há nada que choque
    Nem há nada que rime
    Poesia é mais necessidade de vazar
                 sentimento
                 tormento
                 ou medo

Fim-do-mês não tem garantia
    Salário de carteira é um baixo assinado
    (e inversamente proporcional ao meu itinerário)

Pretendo deMonstrar a mistura
    de todos os sonetos e técnicas
    ”não há mais poesia
    mas há artes poéticas”

Artista de novela da seis não é herói pontual
    A gente só escreve novela
    (pra ver se me passa no jornal nacional)

A gente mistura escola - literária ou não -
    Mistura escória e mistura perfeição
    Música é o que bem há no mundo
    Há muita criação, pouca difusão
    Há muita parabólica pra pouco pão

Mas eis o que quero dizer:
    - Foi-se o reinados dos modernistas
    Contemporâneo é nome feio
    Agora sou misturista.

Faço minhas rimas quando tenho vontade
    e chovem subliminares nas nossas criações
    (Há quem perDa tempo tentando descobrir)

- Não nascem mais manuéis Bandeiras!
    - Nem mesmo carlos drummonds…
    - Não nascem mais Machados de assis!
    Dizem os pessimistas

A cada canto escondido
    Há um envergonhado poeta
    Que só quando mistura dinheiro
    Têm reconhecida a arte que excreta.
    Estão todos os bons sem serem notados
    - sob o manto da individualidade -

Eles misturam economia e sincretismo
    Eles misturam aprendizado com vestibular
    Eles fazem antropofagia com carne de soja.

Poeta do capitalismo só fala de amor
    Apocalipse poético foi o que alguém profetizou

Há muito já quebraram-se ligações com o passado
    Há de chegar o dia que quebrem-se as do presente

Ao contar páginas de livros
    não há nem sistema binário
    Hoje poesia é movida
    pelo seu saldo bancário

Prostitutos todos os poetas atuais
    Quebremos o quebranto das letras:
    Quero a arte por paixão!
    a arte new face
    a arte que critique, resgate
    passado, futuro e até o dadá
    Façamos a arte do gosto
    Não arte do que vão nos pagar.

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3 comentários »

  • 1
    Gil :

    Eu começo a acreditar que essa tal “Engrenagem subjetiva” pode dar CeRtO!

  • 2

    “Já inventaram até aldeia global
    Ah,
    Mas nem se anime, porque não cabe todo mundo.”

    muito bom, muito bom mesmo!

    “Há de chegar o dia que quebrem-se as do presente”

  • 3
    Sâmia :

    Babando… :D

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