No emocionante e realista A Distância Entre Nós, de Thrity Umrigar, é apresentado o universo dos indianos. O fio condutor do romance é a relação complexa e reveladora entre patroa e empregada (Sera e Bhima). A partir dessa convivência traços marcantes das vidas tão diferentes e ao mesmo tempo iguais das duas amigas, confidentes, e inimigas uma da outra são revelados.
Em meio ao drama de Bhima (empregada), que descobre que sua neta adolescente esta grávida, e a felicidade de Sera com a gravidez de sua filha recém-casada, uma teia se forma para entrelaçar os destinos das duas famílias. Fatos amargos demonstram que mesmo a “alta sociedade” não é imune a infelicidade.
Outra alegoria marcante do romance é a desigualdade social. Na Índia, a religião oficial é o Hindu que prega um rigoroso sistema de castas assim divididas: brâmanes (religiosos e nobres), os vaixas (camponeses e comerciantes) e os sudras (escravos). Oficialmente esse sistema foi abolido em 1947, mas a realidade mostra que ela ainda exerce grande influência no país. Uma maneira cruel de subordinar o ser humano. Chega a ser revoltante a forma que os que se consideram uma casta superior tratam os demais. Até a boa Sera sentia nojo e mantinha distância de uma mulher que acompanhou em quase todos os momentos de sua existência.
È curioso que sempre nos comovemos e solidarizamos com histórias tristes e injustiças que nos são apresentadas em livros e não nos lembramos que em nossa realidade esse tipo de discriminação e estereótipos são comuns. Aqui, nenhuma religião precisa estimular esse tipo de comportamento. Infelizmente, a nossa volta alguém sofre preconceitos idiotas e não nos prendamos ao que nossa mente associa a vítima. Negros, homossexuais, analfabetos…, possivelmente continuam sendo os mais discriminados. Contudo, a maioria das pessoas já passou por isso. Que se manifeste aquele que nunca foi estereotipado. A Distância Entre Nós além de narrar profundas histórias de vida, dá um tapa na cara da hipocrisia daqueles que de forma implícita olham torto para o favelado, o deficiente físico… Ensina o quanto de força do bem e do mal há em cada um.





Entendi nada desse último parágrafo.
gostei muito!
li o livro e a maneira como você o descreveu foi interessantíssima, com direito a contextualização histórica e tudo :)
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