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Sem choro, por favor!

Por Enrique Escudero Ler mais textos de Enrique Escudero
25 de agosto, 2008 | 3 Comentários

No último domingo, a Cerimônia de Encerramento decretou o fim das maiores Olimpíadas dos últimos tempos. Com inúmeras quebras de recordes olímpicos e mundiais, os Jogos Olímpicos na China foram marcados por superações de grandes atletas. E por fracassos também inesquecíveis. Principalmente os fracassos brasileiros.

 

O favoritismo do Brasil em algumas modalidades esportivas colocou muita pressão em alguns atletas que não renderam ou falharam na hora decisiva. Falaram muito do judô brasileiro, após o excelente resultado do país na competição mundial, mas o que se viu foi um caminhão de bronzes e nada de medalha dourada. O vôlei masculino perdeu a segunda competição seguida, algo catastrófico para essa geração, e ficou com a prata. O futebol, tanto masculino quanto feminino, não conseguiu conquistar a medalha de ouro. E a ginástica artística teve um desempenho razoável, quando se aguardava com imensa atenção a vitória do Diego Hyppolito.

 

Apesar desses tropeços do esporte brasileiro, houve gratas surpresas, como o ouro de mulheres no vôlei de quadra e no salto a distância, além do incrível desempenho de César Cielo nas piscinas. O interessante disso tudo é observar que as medalhas douradas que o país conquistou foi com nomes que não eram considerados os favoritos absolutos.

 

Constatando esse contraste no desempenho do Brasil em solo chinês, fica a dúvida quanto a capacidade de agüentar pressão dos atletas brasileiros. É notável a queda de rendimento dos atletas em competições realmente importantes quando eles levam um status de favorito. O favoritismo atrapalha o Brasil, em todos os sentidos. Somos melhores quando ninguém espera nada da gente.

 

É curioso o fato do Brasil não conseguir ser o melhor quando se é o melhor. É difícil para o país ser o melhor em qualquer coisa. Quando se tem pressão, os brasileiros raramente vingam. Enquanto isso, o país vai ficando para trás.

 

Atleta brasileiro tem que ser treinado em alto nível, para não sentir tanta diferença quando disputar alguma competição importante. Por isso, o esporte amador tem de ter grandes investimentos, a fim de criar competições com alto grau de… Competição! Chega a ser engraçado, mas talvez seja esse um caminho válido para acabar com a derrocada dos atletas favoritos em disputas importantes.

 

Psicólogos no esporte são cada vez mais necessários e o Brasil poderia investir também nisso, pois eles podem ajudar os atletas a evitar esse nervosismo em competições de alto nível. Eu, sinceramente, não agüento mais choro e pedidos de desculpas dos atletas ao perderem. Se perdeu, paciência. Ao chorar, o atleta só demonstra que não estava preparado para ganhar.

 

Os brasileiros são bons. Às vezes, eles são os melhores. Mas, infelizmente, não sabem conviver com isso.

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3 comentários »

  • 1
    Diego Ribeiro :

    Para se ter uma idéia a delegação do Brasil contava com apenas 1 psicólogo, que foi justamente o que acompanhou as meninas do vôlei de quadra, mas também as “bufa fria” precisavam mas que qualquer outra equipe, de qualquer modo surtil efeito. Enquanto que a delegação estadunidense contava com 48 psicólogos, número maior que muitas delegações de outros países!!!

    Texto ótimo, EScudero!

  • 2

    texto digno de um grande escritor, texto digno de Escudero.

  • 3
    Laryssa Marinho :

    O Brasil é um país movido pela pena. Não temos que ter pena, temos que cobrar a quem de direito para que essa realidade seja alterada “Eu, sinceramente, não agüento mais choro e pedidos de desculpas dos atletas ao perderem”…Se estamos coclendo derrotas é pq estamos plantando algo errado. Poh Enrique tenho orgulho de vc !!!!

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