“Pra escrever, tem que ter disposição. Pra escrever, tem que ter habilidade…”
“Um conhecimento anula o outro”. Quem disse isso? Leibniz? Goethe? Sartre? Não, fui eu: Ígor Luz, o ombudsman que vos escreve. É uma tese confirmada. Esperava divulgá-la mais tarde em uma mesa de intelectuais, com direito a água mineral e microfone na mão. Mas estou com medo de que alguém pense em algo parecido e diga antes de mim. É melhor registrar logo.
Minha tese surgiu há muito tempo, quando minha mãe reclamava pela bagunça do meu quarto e a minha irreversível falta de organização com meus pertences. Eu respondia esfregando o meu boletim em sua cara. Ora, eu era bom no colégio, não havia a necessidade de ser organizado. Quem sabe lavar pratos nunca saberá entender as críticas de Sartre. Quem sabe pintar uma parede nunca conseguirá ler Goethe no original. Quem é prendado na arrumação da casa, será um desastre com as teorias matemáticas de Leibniz. Um conhecimento anula o outro. Mais exemplos? Quem sabe obturar um dente, não sabe costurar. Quem sabe levantar pesos para ficar malhado, não sabe escrever bons textos. Eu nunca fui malhado. Vocês poderão citar alguns gênios como Leonardo da Vinci que se destacaram em diversas áreas. Mas alguém aí já imaginou Da Vinci fazendo um delicioso macarrão?
Eu comecei essa introdução para elogiar um grande escritor e mostrar que o caminho de alguns aqui é lavar pratos, pintar parede e ficar malhado. Uma coisa óbvia que eu não tinha ainda pensado é o fato de que a experiência, o estímulo e a responsabilidade podem ser importantes influentes para melhorar o que já é bom. Algumas pessoas têm a habilidade para fazer as coisas. Outras têm a força de vontade para melhorar sempre. Enrique Escudero, nosso colunista esportivo, mostrou que com disciplina podemos ser mais e além.
Desde o início, a coluna de esportes, sempre sob o comando de Escudero, nunca falhou uma publicação. No começo, aliás, os textos do colunista eram medianos, com algumas falhas que eu cheguei a mencionar durante o primeiro ombudsmato. Enquanto meus outros colegas sentiam indignação e raiva com minhas críticas, Enrique Escudeiro as recebeu, aceitou e procurou melhorar. Ele entendeu que não era apenas a crítica de um colega, mas de um leitor atento.
Ao longo das colunas esportivas, o colunista do Jogo Rápido melhorou e muito. Seu texto ficou bem escrito, divertido e interessante. Até os leitores que não se interessam muito por esporte, começaram a ler e apreciar a coluna. Enrique soube aproveitar da melhor maneira o Revertério: ele ousou com força de vontade. Basta comparar seu primeiro texto escrito no início de dezembro do ano passado, com a coluna inicial da segunda fase do site. Escudero sabe o que falar e tem o que falar. Eu não saberia dizer se Enrique Escudero é o melhor escritor por aqui. Mas com certeza é o que mais sabe reconhecer falhas, buscar acertos e ser disciplinado.
Há os sortudos que sabem escrever (mostraram isso desde o início) e não sabem fazer macarrão. Um conhecimento anula o outro, lembra? É o caso de Sâmia Louise. A autora mostrou talento desde o início e, como todos os autores em ascensão ou não, mescla textos bons com textos não tão bons.
Infelizmente, a maioria dos escritores do Revertério não tem a habilidade de Sâmia nem a disciplina do nosso colunista esportivo. Os colunistas desse site se ofendem estupidamente na crítica mais rasteira, não postam em dias, não procuram melhorar e, quase sempre, fazem textos sem graça e sem estímulo.
Com o fantástico texto publicado essa semana, Escudero provou uma falha em minha tese: não precisa nascer com a habilidade, basta querer melhorar e buscar isso. Não preciso citar os nomes dos irresponsáveis maus escritores do Revertério. Basta procurar nas críticas anteriores que todos saberão de quem estou falando. Eu salvo uns cinco. Com boa vontade, seis.
Há tanta coisa para se fazer nesse mundo. É hora de encarar a realidade e procurar a verdadeira habilidade: lavar pratos, pintar parede, ficar malhado, tocar violão, dançar, costurar, cozinhar. Não querem? Então sigam o exemplo de Enrique Escudero: disciplina, responsabilidade e bom senso.
…





Definitivamente, um conhecimento não anula o outro.
O que pode acontecer, é que você passe a dar mais uma atenção a uma coisa que a outra. No mundo em que vivemos não sobreviveríamos se não aprendessemos a nos adaptar as mais diversas situações que nos são impostas.
Está faltando comprometimento!
“Quem sabe lavar pratos nunca saberá entender as críticas de Sartre. Quem sabe pintar uma parede nunca conseguirá ler Goethe no original. Quem é prendado na arrumação da casa, será um desastre com as teorias matemáticas de Leibniz.”
Desculpe Ígor, mas você se equivocou, essa tese sua não sai de uma mesa de bar.Uns se destacam em algumas coisas, só que isso não quer dizer que ele só saiba fazer aquilo.
Seu texto é bom rapaz xD~
“Quem sabe lavar pratos nunca saberá entender as críticas de Sartre. Quem sabe pintar uma parede nunca conseguirá ler Goethe no original. Quem é prendado na arrumação da casa, será um desastre com as teorias matemáticas de Leibniz.”
Gostaria de perguntar a minha irmã como ela conseguiu fazer mestrado e saber lavar os pratos de casa, sem contar que ela é piolho de academia.
É a primeira vez que comento aqui. Posso dizer que o site é bom e a grande maioria das pessoas que escrevem tem potêncial.
Boa Sorte a vocês.
Sobrou até pro pobre o meu macarrão… :(
Pra você ter o conhecimento da escrita, esqueceu os conhecimentos da humildade e modéstia. Concordo, um conhecimento anula o outro.
Ps.: O fato de você ser preguiçoso e não malhar não significa que bons redatores não façam seus exercícios diários. Aí então eu lanço uma outra tese: Tá mais fácil um malhado aprender a escrever bem do que você a malhar. Será que essa sai d’uma mesa de bar?
Igor e suas teses… hauahuahua…
;)
Seu texto esta muito bem escrito!!!
Eu simplesmente adorei!!!!
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