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Elas não querem parar

Por Emilãine Iemai Ler mais textos de Emilãine Iemai
23 de julho, 2008 | 3 Comentários

Após inúmeras lutas, a mulher brasileira entra no século XXI de cabeça erguida. Os motivos são vários: a aprovação de leis que garantem seus direitos na defesa contra a violência doméstica, a inserção crescente no mercado de trabalho, a ocupação de cargos que antes eram exclusivamente masculinos e o aumento nos índices de concluintes do ensino superior são apenas alguns deles.

A discriminação está desaparecendo – é o que elas mesmas afirmam. “A gente sabe que a mulher brasileira conseguiu conquistar o seu espaço”, diz Guiomar Oliveira, promotora pública. “Posso lhe dizer que eu nunca tive esse problema, de discriminação de qualquer sorte, por ser mulher”, ela completa. A opinião da promotora é comum entre as conquistenses. Quando perguntadas se já se sentiram discriminadas por serem mulheres, 87% das entrevistadas pelo Revertério responderam que não.

A LUTA ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Para chegarmos a este ponto, as lutas feministas tiveram que enfrentar mais de trezentos anos de conquistas lentas. O movimento teve início na Europa Ocidental do século XVIII, mas seus principais momentos históricos foram a “primeira” e a “segunda grande onda” feminista, que ocorreram, respectivamente, no século 19 e no século 20.

O século 19 foi palco das conquistas legais que garantiram às mulheres os principais direitos civis, trabalhistas e políticos que antes lhes eram negados; porém, no século 20, percebeu-se que, apesar dessas mudanças, a diferenciação por sexo continuava a prejudicar o cotidiano feminino. Maria Emília, empresária em Vitória da Conquista“A própria mulher, ela mesma, se retraía de buscar sua participação. Mulher era realmente uma figura criada, treinada, para ser a dona-de-casa. Exclusivamente mãe e dona-de-casa.”, é o que diz Maria Emília, empresária conquistense, que sofreu discriminação, há aproximadamente 30 anos atrás, por ser mulher.

Negando este papel, e sendo impulsionadas por nomes como o de Betty Friedan, as mulheres começaram a tentar quebrar os paradigmas das formas mais impactantes que encontravam. O cigarro, a entrada na universidade e a rejeição aos trabalhos domésticos tornaram-se símbolos de várias daquelas que estavam à frente do seu tempo. “A afirmação da mulher como força produtiva era uma coisa que começava a ficar tão firme dentro de cada uma de nós que a gente se negava até mesmo a aprender as tarefas do lar”, conta a empresária.

Betty Friedan (1921-2006) foi uma escritora e ativista estadunidense. O lançamento do seu livro “A Mística Feminina” é tomado como marco inicial do movimento feminista contemporâneo. Friedan tornou-se conhecida mundialmente e influenciou tanto escritores, antropólogos e outros ativistas, quanto milhares de mulheres comuns.

Formada em economia, Maria Emília é remanescente de uma minoria de mulheres que freqüentou a universidade nos anos 70. Ela pontua que, no ano em que prestou vestibular, o número de aprovação feminina foi de apenas 10%. Mas foi justamente a partir desta década que as mulheres começaram a encher as faculdades. Atualmente, na Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB), por exemplo, há 6.108 alunos matriculados, dos quais quase 70% são mulheres. Já segundo pesquisa realizada em 2004 pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), subiu para 63% o número de pessoas do sexo feminino que concluíram o ensino superior em todo o Brasil.

O CAMPO PROFISSIONAL

Não apenas nas faculdades elas conquistaram seu espaço, o mercado de trabalho vem sendo constantemente preenchido pelas mulheres. Aquelas que até anos atrás eram todas treinadas para formação de donas-de-casa, agora vêm se tornando um verdadeiro pelotão de empresárias, profissionais liberais, administradoras e de muitos outros cargos.

Apesar disso, os indicadores demonstram que a média dos salários femininos permanece mais baixa que a dos masculinos. Em 2007, segundo dados do IBGE, a remuneração média das mulheres correspondeu a 65,6% da dos homens. É a prova de que ainda há muita coisa a ser feita.

“A prova da capacidade feminina ela se processa ainda através justamente de uma persistência, de uma insistência, de uma dedicação ainda maior que a dos homens”, observa Maria Emília. Jordaele Santos, bombeiro voluntária em Vitória da Conquista“Até mesmo em opinião a mulher ainda fica um pouco atrás”, diz Jordaele Santos, bombeiro feminino voluntária; mas ela também aponta que, ainda que haja essa diferenciação, a mulher tem sim capacidade de fazer as mesmas funções que o homem.

Talvez o maior problema do sexo feminino na questão trabalhista ainda resida na sua obrigação para com o lar, já que, majoritariamente, a família ainda tem como peça central a mãe. “Ao conquistar o seu espaço junto aos homens, ela também perdeu, por outro lado, a sua capacidade de exercício de maternidade. Muitas mulheres hoje abdicam desse direito, abdicam desse prazer de ser mãe, em face das n atividades que exercem”, diz Guiomar Oliveira. “Mas eu acredito que as mulheres teriam a capacidade de exercer as duas funções”, ressalta.

A LEI ESTÁ A FAVOR DELAS

Uma das mais recentes e importantes conquistas das brasileiras foi a elaboração da Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 22 de setembro de 2006, e tem como objetivo favorecer as vítimas de violência sexual e doméstica. Esta lei mudou o Código Penal Guiomar Oliveira, promotora pública em Vitória da ConquistaNacional, possibilitando que os agressores possam ser presos em flagrantes e fiquem mais tempo na prisão, mudando a duração das penas de um para três anos.

“A lei veio proteger. Veio não somente fazer a repressão daqueles que ainda têm esse comportamento, como também uma prevenção, porque eles sabem que existe uma lei rigorosa e que eles vão responder pelos seus atos”, diz Guiomar Oliveira. “A própria Maria da Penha é um exemplo da vitória da mulher, da conquista da mulher.”, acrescentou a promotora.

Maria da Penha é um dos principais símbolos da luta feminina no Brasil. Após ser atingida, em 1983, por um tiro disparado por seu ex-marido, Marco Antônio Herredia, a biofarmacêutica deu início a uma luta de vinte anos para que seu agressor fosse condenado.

O caso Maria da Penha é tido como a primeira condenação por violência doméstica no país e deu nome à lei número 11.340, que decretou a criação de um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

SINAL VERDE

Mães, donas-de-casa, profissionais liberais. Já não importa o setor que as mulheres ocupam, elas definitivamente já garantiram posição e direitos na sociedade – e estão conscientes disso.

No entanto, pelo que depender delas, as mudanças irão continuar. Enquanto conversávamos com várias mulheres, a frase mais repetida foi: “Não podemos parar”. Elas querem conquistar o que ainda não conseguiram, superar as expectativas e, claro, manter o que já alcançaram.

“Essa luta eu entrego para a geração de vocês, para que vocês continuem”, foram palavras de Maria Emília.

Os homens que se cuidem!

  • Texto: Emilãine Vieira e Juliana Pinto
  • Entrevistas: Emilãine Vieira, Juliana Pinto e Jádia Filadelfo
 
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3 comentários »

  • 1

    Emi, minha musa!!!!!!!! Olha só tenho uma coisa pra reclamar lugar de mulher é na cosinha, e lavando roupa… ^^
    Esse negócio d trabalhar, não serve pro sexo feminino, elas nunca vão ser boas o suficiente… auwehiuawhiuehiauwheiuawhuiehiuawhieuhawiuehaiwuehiauwehiwauh
    Quem dera eu tenho medo daqui a um tempo, mulher nem homem vai querre mais, vai usar os homi pra fazer filho e depois botar pra trabalhar na casa… T_T
    Até q eu ia gostar ser sustentado… aiuheiuhwiuehiuwahieu

    “Inside the cage of your mind waiting for the day”

  • 2

    aiuhewiuahwiuehauiwheuiawhiuehiwauheuiaw…
    agora q eu fui ler o q eu escrevi… aiuwehaiwuehiuawheiuhawiuehiawuehiuawhahi…
    não faz sentido…
    aiuwehiuawheiuhawiuheiuawhieuhawiuehiuwh…
    só podia ter sido EU…
    aiuwehiuawhiuehiuawheiuawhiuehiwauehiwuehawiu…
    Emi, minha linda!!!!!!!!

  • 3
    paulinha :

    Oh, meu amor, SE LUGAR DE MULHER É NA ”COSINHA”, o seu, PENTELHINHO, é na ESCOLINHA.
    Saco!

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