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Apatia inquietante

Por Júnia Ortiz Ler mais textos de Júnia Ortiz
02 de julho, 2008 | 6 Comentários

Sem criatividade, sem inspiração, sem ânimo. Apático. Simplesmente apático. Chega a ser paradoxal, mas a apatia deste texto me incomoda profundamente. Falar mal do Brasil é ultrapassado. Falar dos problemas sociais é ultrapassado. Falar de reforma na educação, na saúde, na política, é ultrapassado. Sinceramente, estou cansada disso tudo. Não sei o que fazer. Estou confusa. Estamos todos confusos e doentes. Não há quem nos oriente, não há quem nos cure. Talvez estejamos mesmo é muito loucos.

Então esqueçamos o mundo e o país, vamos nos preocupar com a nossa vida, vamos nos preocupar conosco, ora bolas! Não dá pra salvar o mundo inteiro, então “salve-se quem puder!” Qualquer recurso é válido para salvar a pele. Trabalhemos, trabalhemos! Trabalhemos como formiguinhas incessantes em busca de reservas para o inverno. Mas nada de trabalho em equipe, nada de reserva colonial, a reserva é minha e só minha, é para o meu inverno, cada qual adquira a sua. É, trabalhar duro durante todo o verão, para desfrutar de uma vida tranqüila no inverno.

E o mundo? Ah sim, eu me preocupo com o mundo, com o meu mundo. Com uma vida relativamente estável e independente, bom emprego, dinheiro no bolso, garantia de uma boa aposentadoria, e outras coisas mais. Tanto nos queixamos da atual situação do Brasil. Pra quê? Não fazemos nada além de lamentar (evidente que existam raras exceções). Relaxe, esqueça, desfrute.

E é assim que nós, simples mortais, vivemos. Correndo na superfície da verdadeira vida. Obcecados, alucinados, alheios, apáticos. Sem perceber que a tragédia da humanidade está em nosso minúsculo e insignificante cotidiano, no cotidiano de cada um de nós. E que a reforma se faz necessária sim. Uma reforma em nossa vida pessoal. Uma bela reforma.

Precisamos tratar esse mal que viceja em nossas vidas. Precisamos agir, reagir, abrir os olhos, deixar a apatia. Decidi: vou procurar tratamento já. Não sei onde, nem como, mas procurar é o primeiro passo. Tratar minha mente, minhas idéias. Transformar as palavras em ações, os textos, em acontecimentos.

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6 comentários »

  • 1
    Carlos :

    Concordo completamente com você!

  • 2

    É verdade, somos todos conformados… ¬¬
    Com excessões é claro… :P
    Gostei do texto… ^^
    Viva o Brasil… quem sabe meus netos ñ presenciem algum crescimento significativo no país… :P

    “I wonder where did she go”

  • 3
    Lay :

    É Junia! Essa revolução de que se falam diariamente, tem que nascer de dentro para fora e tem que contaminar, se não todos, boa parte da humanidade. O que mais me inquieta são as questões ambientais, hoje as vejo como o “calcanhar de Aquíles” do planeta.

  • 4
    Camila Teles :

    Muito bom, Jú!
    Protesto interessantíssimo; praticamente um grito.

  • 5
    Samuel B. :

    Parabéns pela reflexão,

    O texto me fez lembrar de alguns discursos “do está tudo errado”. Muitas vezes nos esquecemos que fazemos parte do tudo e podemos mudar, pelo menos, o que nos diz respeito.

  • 6
    Laryssa Marinho :

    Bom texto!!!!

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