Explanar as diferenças da educação na Rede Estadual de Ensino Público e de Educação Privada, bem como mostrar o grande desafio e responsabilidade de dirigir uma Escola de grande porte, é a proposta abordada hoje por nossa coluna. O revertério conversou com duas profissionais de excelente gabarito, que dirigem duas grandes instituições educacionais, mas de situações opostas: Andréa Cleoni que dirige o Colégio Estadual Abdias Menezes e Lia Teles, diretora do Colégio Opção.
Diretora do Colégio Estadual Abdias Menezes, Andréa Cleoni é graduada em Letras. Ela tem a difícil missão de dirigir uma intituição com mais de 2.500 estudantes. Perguntei a diretora o porquê de ter aceitado o desafio de dirigir um colégio tão grande, e ela respondeu: “eu trabalho nesse Colégio há 10 anos. E com a eleição de Jacques Wagner surgiu um boato de que iria mudar todos os diretores, mas disseram também que viriam pessoas de fora. Vitória da Conquista tem um número de escolas muito grande. E isso está acarretando uma má distribuição de alunos e conseqüentemente a excedência de professores. Vindo um diretor de fora, correria o risco de colocar em excedência algum colega. Então, me inscrevi para ser diretora sem saber se conseguiria assumir uma tarefa de responsabilidade tão grande. E contei com a ajuda dos colegas.”
Andréa Cleoni disse que mesmo tendo um grupo de pessoas que ajudam, sempre tem pessoas que são contra. Falou também que a falta de reconhecimento atrapalha. Pois é preciso força e energia para fazer um bom trabalho. E mesmo quando você se esforça além do limite e ocorre de um colega reclamar, criticar esse tipo de atitude desanima muito. “Às vezes uma pessoa destrói o trabalho de um grupo grande.”
Para Cleoni, a maior recompensa vem do aluno. “Eu escolhi ser professora, nasci querendo ser professora. Além de escolher ser artista. E quando vejo o aluno satisfeito, vejo a escola melhorar. Dá essa vontade de continuar trabalhando.”
As dificuldades enfrentadas pelo colégio são diversas, mas a Diretora destaca: “quando um professor adoece é muito prejudicial para o dia de trabalho. E no Abdias que tem 80 professores, normalmente adoece mais de um por dia. Pra gente repor essas aulas as vezes é impossível, muito difícil. Na rede particular também acontece isso, mas eles têm outras formas de preencher esse espaço, já na escola pública isso é mais visível. Os professores que adoecem são os de maior idade. A gente vê artigos sobre doenças que atingem os professores, sendo que os da rede pública adoecem mais que os da particular. Porque inclusive, segundo estudos, mesmo a remuneração sendo igual, os educadores da rede particular adoecem menos, pois o emocional está mais bem tratado e ele sente orgulho de está trabalhando numa escola que tem um nome, que tem reconhecimento social. A escola pública recebe alunos carentes, de famílias desestruturadas ou até mesmo sem família. E o professor não é psicologicamente preparado para atender esses alunos.
Ainda sobre problemas, Andréa falou: “tem professores que trabalham na rede pública e privada ao mesmo tempo. E eles querem tratar e ver o resultado igual, mas não conseguem porque o aluno tem diversos problemas: vir para a escola com fome, mãe alcoólatra, pai desconhecido, irmão preso. Então, esses problemas fazem com que o professor se sinta menos orgulhoso de está trabalhando, e isso prejudica o emocional. E o emocional faz com que ele adoeça. Por isso nossos professores adoecem mais.”
Um caso muito sério de violência ocorreu, ainda, este ano envolvendo alunos do Colégio Abdias Menezes. E Cleoni comentou sobre incidências de violência na rede pública: “Como o colégio é muito grande a gente tem ocorrências maiores, mas são casos isolados. Todo início de ano temos acontecimentos de violência na escola, a gente detecta qual é o grupo, qual foi o caso e eliminamos o problema. É uma questão que deveria ser consertada dentro da escola. Mas não temos estrutura para aceitar determinados casos; profissionais como coordenador pedagógico, psicólogo e um serviço de orientação tão adequado. Este ano a gente teve um caso muito grave: um aluno atirou no outro. Graças a Deus foi fora da escola.”
Para resolver questões a respeito de aluno fora da sala de aula e ainda violência, o colégio adotou ferramentas mais firmes. “Temos câmeras de filmar e os alunos sabem que são monitorados. Havia um grupo que veio para a escola trazer drogas e extorquir outros colegas, foi então que instalamos um sistema de não permitir que os alunos fiquem no pátio. Porque antes, quando o professor estava cansado de determinado aluno, colocava-o para fora. Aluno não queria assistir aula, ficava no pátio. Agora proibimos que o aluno fique no pátio. Caso contrário ele leva uma advertência, outra advertência, suspensão e transferência. E logo no início do ano a gente detectou um grupo que veio aqui para não estudar, e como tínhamos estabelecido essa lei, e eles estavam infrigindo-a, tive a garantia de que eles não iam permanecer aqui. Pois ficavam no 1º horário assediando os alunos lá fora e no 2º entravam e ficavam pelo pátio. A partir do momento que as câmeras detectaram, eu falei que eles não poderiam permanecer na escola.”
Na tentativa de resolver esses e outros fatores que impedem um melhor funcionamento do colégio, Cleoni disse que desde outras gestões a escola tinha a política de projetos por área de conhecimento. “A gincana é uma ótima ferramenta, mas a falta de comunicação entre as diferentes áreas é um grande problema, pois não temos como articular as diferentes áreas. Se tivéssemos um coordenador pedagógico, esses projetos iriam esxplodir, crescer cada vez mais.”
Lia Teles é uma das Diretoras do Colégio Opção. Graduada em Artes Industriais pela UFBA. Tem o papel de dirigir um grande colégio da rede de ensino particular de Vitória da Conquista, que abrange desde a 5ª série do ensino fundamental até o Pré-Vestibular.
“O desafio iniciou quando me dispus há tantos anos atrás a ser professora. Ser professora é um grande desafio. Seja na sala de aula, na coodernação, ou na direção, sempre coloquei minha profissão como um serviço”. Esse foi o motivo pelo qual aceitou tornar-se diretora.
Sobre problemas, Lia Teles disse que existem os intrínsecos e extrínsecos. “Hoje, os extrínsecos são mais fortes. E também há problemas comuns: a falta de vontade de estudar que os alunos apresentam. A formação do profissional também deixa a desejar. O próprio Ministério da Educação, as leis, reformas que são feitas por ele, não atendem as necessidades de forma satisfatória.” Em contra ponto, a diretora fala sobre as recompensas: “a maior recompensa é poder olhar para nossos alunos, para nossos colegas e também as famílias; é você poder olhar para o outro de forma mais afetiva, mais próxima. Apesar de desgastante, o retorno é muito grande.”
A violência nas escolas, assunto que vem ganhando destaque nos meios noticiosos, também foi discutido em nossa entrevista. Para a diretora, isso é um problema que preocupa bastante. Porque ela evolui a cada dia. Segundo ela, os jovens de hoje denominam essa violência como brincadeira. “Em nosso colégio não temos problemas mais graves, nós tentamos orientá-los, chamamos as famílias para conversarmos. Mas, não é porque não ocorre de forma grave em nossa escola, que nós vamos desconhecer esse problema. A violência hoje preocupa direção, professores, funcionários, família e os próprios alunos.”
A respeito de políticas de inclusão de alunos que não possuem condições financeiras, Teles declarou: “A escola privada é uma empresa, ela não tem cunho filantrópico. Porém, nossos mantenedores buscam uma troca estabelecida. Alunos do pré-vestibular recebem um desconto na mensalidade e, em troca, ele presta um serviço em um turno oposto. Para os alunos do colégio, nossos mantenedores prevêem descontos, de modo que não venham prejudicar o andamento da empresa.”
Uma comparação entre o funcionamento dos colégios da rede de ensino pública e particular foi tema de outra questão. “Na rede particular de ensino enfrentamos outras problemáticas, dentre eles a falta de cumprimento de regras pelos alunos. E isso vem desde a infância. Então, a criança vem até a adolescência sem aprender a se responsabilizar por si mesma e pelo outro que está ao seu lado. O cumprimento de regras é uma dificuldade, o que, de fato, ele não assimilou. E quando chega a um círculo social maior como a escola, ele apresenta aquilo que aprendeu durante a vida. A inadimplência é outro grande problema. A classe média não está segurando muito todos os gastos de seu orçamento.”
“É difícil eu fazer uma avaliação precisa sobre o ensino da rede pública, pois estou ausente desde quando me aposentei em 1996. Mas, o que sei são informações de colegas que não estão satisfeitos com a sistemática de ensino da rede pública. Os alunos também não estão satisfeitos. Mas, com o novo Ministro, Fernando Haddad, percebe-se uma atenção maior que dos anteriores. Nós profissionais da educação jamais podemos perder a esperança de vivenciar ou enxergar as melhorias neste setor.”
Fotos: Diego Ribeiro.





Bom texto man, muito informativo… ^^
Vovó sempre dizia:
“Faça o que você gosta ou então vai morrer cedo!”
“Sarabuta o agete”
Gostei principalmente da parte em que a Diretora Andréa Cleoni comenta sobre o estado psicológico/emocional dos professores perante os diversos problemas dos alunos da rede pública. É uma realidade que precisa ser discutida, pensada e levada a sério.
E achei interessante também a explicação da Diretora Lia Teles sobre o problema do “não cumprimento de regras” dos alunos da rede particular, talvez por a maioria não ter tantas responsabilidades, como um aluno da rede pública.
Estudei num colégio onde aé a cor da meia era verificada para ver se estava de acordo com o padrão da farda. Antes, quando pré-adolescente, eu não entendia o porquê de tanta rigidez. Hoje entendo o quanto é importante a disciplina para a educação de uma criança.
Adorei a matéria. Realmente bastante informativa, e promove uma discussão bastante interessante!
* “aé” = até.
Parabens, Dii!!
Apesar de ter ficado muito grande, o seu texto ficou legal!
Sintetizou as principais informações sobre esse dois mundos tão distintos e próximos ao mesmo tempo.
Sucesso!
o colegio e otimo esta muito bem organizqdo mais dando minha opiniao esta prezisando de maisnatiovidades com os alunos, esta muito parado e isso acaba deixando que os alunos vem efetua a escola. grata da aluna lenny beijos……
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