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E essa é pra todos nós

Por Sâmia Louise Ler mais textos de Sâmia Louise
04 de junho, 2008 | 11 Comentários

A todo momento estamos trazendo para casa tudo o que vem do mundo afora. Calçamos Reboock, All Star, vestimos Ellus. Comemos macarronada, bebemos Coca-cola. Corremos para ver as grandes produções de Holywood. Lemos Shakespeare. No Natal, comemos panetone e bebemos vinho. No reveillon, champanhe. A cada estação temos que estar novamente na moda. Pelo menos duas vezes no ano, queremos nosso corte de cabelo igual ao da atriz da novela das oito. O ano inteiro, desejamos a barriga da Shakira. E todo domingo à tarde, ninguém nunca pára pra se perguntar de que diabos de lugar saiu a cerveja – e quem se importa? Seja lá qual for, abençoado seja entre os amigos, na mesa de um bar.

Não apenas nós estamos no mundo. O mundo está em nós. Ele pode ser lido. Ouvido. Assistido. Degustado. E tantos outros particípios que se imaginar. E nós, o que somos para o mundo? Acabamos por virar estatística. Público alvo. Massa. Bagaço. Por que o franzir de testa? Bagaço sim, senhor! Espremidos até o último centavo. Verdade seja dita, eu sei – dinheiro pode trazer felicidade. Mas apenas pode. O dinheiro te dá o produto. E a felicidade? Ué, nem me olhe com essa cara! A felicidade é problema seu.

Nada de drama. Sejamos realistas. Você acha mesmo que uma editora que coloca um livro de Agatha Christie nas prateleiras de todo o país, vai ficar ansiosa imaginando a cara de besta que você vai fazer, quando descobrir quem é o assassino da trama? Não mesmo, ainda que você tenha apostado sua mãe em outro personagem. E não adianta. Ela também não irá se responsabilizar pelo orfanato.

Tem mais. A Sazon está pouco se lixando para a receita de macarronada que você escolheu para fazer pro seu namorado, naquele tão planejado jantar romântico. Mesmo que o molho branco dê errado, e você tenha que ouvi-lo perguntar se aquele mingau é para a sobremesa. Que mau você faria se abrisse a boca dele e enfiasse o molho goela abaixo? Foi tudo carinhosamente preparado com o “tempero do amor”.

E cá pra nós. A Antártica sabe que você nunca vai ter uma mulher como a Juliana Paes. Por isso, é melhor não se animar quando tiver com uma latinha na mão. E antes que você tire a camisa, lá vai um conselho: esqueça as mulheres. Vá se divertir com a turma. Preste atenção naquele seu amigo que está tomando todas. Talvez ele pare numa lanchonete, consulte o cardápio, e reclame da “burocracia” do preço um pastel. Ta vendo? Aposto que a Juliana Paes não teria essa criatividade…

Não dá pra negar. As coisas mais prazerosas da vida só existem por que nós as possibilitamos acontecer. Aquele filme de produção milionária não teria o mesmo efeito se não fosse assistido em meio a amigos, pipoca e gargalhadas. A ceia de Natal não seria a mesma sem a guerra de azeitonas. Heranças de uma vida simples: nada além do que sorrisos, olhares e pequenos momentos serão cristalizados ao fundo de nossas retinas, guardados na memória sob uma promessa secreta de sobreviverem à eternidade.

E de casa é isso. É ser espontâneo. Transformar o dia-a-dia em humor, o sentimento em verso, o pensamento em voz. Simplicidade. É saber que os sorrisos não seriam os mesmos sem o sabor de café passado na hora. A espera não seria a mesma sem uma saudade. E que as manhãs nunca seriam iguais sem um sol nascendo por trás de cada franja. E perdoe-me as metáforas. Mas elas ganharam vida quase que sem o meu consentimento. Ou será que foi a vida que extravasou sob forma de uma grande metáfora? Parece um pouco confuso. Mas calma. É só um pouquinho.

Se passamos tanto tempo trazendo para casa o mundo, por que não colocar essa teia ao avesso? Uma contramão? Um revertério? Vamos tentar o caminho contrário: levar para o mundo o que produzimos dentro de casa. Da minha, e da sua casa*. Qual a sua opinião? A sua idéia? A sua inspiração? Essa é a essência da verdadeira felicidade – assumir, ainda que timidamente, a autoria da nossa própria existência. Um primeiro passo foi dado. Retiramos a âncora da passividade. Um segundo passo também. É chegada a hora de aprender a lidar com erros, obstáculos e críticas. Mas que eles não parem. Porque outros passos virão.

* O Revertério está voltando com uma novidade - a coluna Fora de Casa. Ela foi feita para que pessoas de fora do nosso grupo possam postar no site. Interessados, enviem um e-mail para foradecasa@reverterio.com, e informem-se!

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11 comentários »

  • 1
    Diego Ribeiro :

    “Heranças de uma vida simples: nada além do que sorrisos, olhares e pequenos momentos serão cristalizados ao fundo de nossas retinas, guardados na memória sob uma promessa secreta de sobreviverem à eternidade”.

    POUCOS, POUCOS MESMO SABEM LIDAR COM AS PALAVRAS QUANTO VOCÊ SAMINHA!!!PARABÉNS!

    “Essa é a essência da verdadeira felicidade – assumir, ainda que timidamente, a autoria da nossa própria existência. Um primeiro passo foi dado. Retiramos a âncora da passividade. Um segundo passo também. É chegada a hora de aprender a lidar com erros, obstáculos e críticas. Mas que eles não parem. Porque outros passos virão”.

    ESSA É NOSSA HORA GALERA, VAMOS NESSA!!!

  • 2
    Andressa :

    Ahh Meu DEUS! qnta burocracia! O importante não são as havaianas que usamos, mas os lugares que elas pisaram, não é o macarrão sem molho com gosto de alho, mas é o simples fato dele ter sido feito…
    Já tava com saudades de seus textos Thonga!

  • 3
    :

    Você sabe escrever subjetivamente, meus parabéns!
    Mas seu texto tem um problema de estrutura: os parágrafos
    não relação entre si. De uma coisa você pula para outra do nada.
    Um precisa ter nexo com o outro.
    Mas está legal, gostei.

  • 4
    enrique :

    Sâmia, sem dúvida alguma, mexer com palavras é uma de suas especialidades.

  • 5
    Francisco Brito :

    Nunca vi fazer um macarrão com molho branco “alá” mingau com efeitos drásticos intestinais,e ao mesmo tempo ser feito com AMOR.

    Boa ambiguidade nêga!
    Só quero saber mesmo onde ta o amor nessa história!

  • 6
    Lay :

    saminhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
    Que lindooooo…
    Aiiiin!! Nem sei o que dizer.
    Vc tratou de todos nós como participantes da “sua casa”

    “as manhãs nunca seriam iguais sem um sol nascendo por trás de cada franja.”

    Ameeeeei!!!
    Seu texto está lindo!

  • 7

    texto liiiiindo!
    cooomo eu gosto da sua maneira de escrever ;)

    ” E que as manhãs nunca seriam iguais sem um sol nascendo por trás de cada franja. ” :D

  • 8

    A propósito de Agatha Christie, convido você e a todos para conhecerem dois blogs recém-lançados…

    A Casa Torta: O Mundo de Agatha Christie
    http://acasatorta.wordpress.com

    Cinema é Magia
    http://cinemagia.wordpress.com

    Um abraço.

  • 9
    Camila Teles :

    Suas palavras são sentimentos lindos.
    Nossa! Como você escreve bem, Saminha!

  • 10

    Meu Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Eu to emocionado sem sacanagem… T_T
    Ela disse q o importante é viver com qm a gente ama, eu vo chorar, eu ja to chorando… T_T
    Mas emoções a parte, adorei quando você disse q o bofe se referiu ao mingau branco do amor como sobremesa… aiuheiuawheiuawheiuhawiuehawiuehaiwuehiwauheiuawheiuawh
    Excelente!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    A sim gata você é uma gracinha se você estiver enteressada em moi estoy aqui, se vc tiver bofe esqueça-me… ¬¬
    “One I am the One once in your secret dreams causing you insanity”

  • 11
    Priscila :

    Samyyyy
    Pq meus dias não seriam iguais sem minha voinha!
    Só um pouquinhooooo
    =)

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