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A Profissão é: Jornalista!

Por Diego Ribeiro Ler mais textos de Diego Ribeiro
02 de junho, 2008 | 11 Comentários

Objetivos; todo ser humano tem ao menos um. E não é difícil encontrar pessoas com objetivos em comum. Relatar sonhos iguais, de pessoas diferentes, em várias fases de sua concretização é o foco principal desta coluna.

“A universidade é um divisor de águas, você passa a ver o mundo com outros olhos”. É assim que Murillo Fernandes, que cursa pré-vestibular e pretende fazer jornalismo vê a universidade. Ele não sabe em qual instituição quer ingressar, mas diz que quem faz a universidade valer a pena é o aluno. “Costumamos idealizar o curso, espero que ele possa suprir necessidades que tenho e não me decepcionar”, foi o que respondeu em relação as suas expectativas do curso.

Murillo cursa pré-vestibular e quer ser jornalista.Quando perguntado sobre o mercado de trabalho ele disse: “A gente acha que vai para a Rede Globo, Folha de S. Paulo, e não é bem assim. O mercado está crescendo, é uma área que dá uma renda estável, desde que você seja um profissional qualificado, e esteja num lugar onde o mercado dê oportunidades”. Para Murillo, a maior pressão vem de si mesmo, por isso se esforça bastante e não costuma perder tempo. “Você é seu melhor instrumento de trabalho, a vontade de estar dentro da universidade depende de você”. Assim ele encerrou a entrevista, buscando deixar uma mensagem de incentivo aos seus colegas.

Na visão de Natália Oliveira, que cursa o 6º semestre de Comunicação Social/Jornalismo na UESB, a universidade é o espaço para crescer como ser humano. A vocação pessoal para o jornalismo foi o principal critério de escolha do curso, desde os 14 anos já pensava em fazer jornalismo. Quando fazia pré-vestibular, Natália disse que chegou a passar três vezes na UESB, mas queria mesmo UFBA. “Para mim foi um momento muito chato de minha vida, mas eu estudava muito, fui aluna de cursinho mesmo, raramente saía. Mas o pior mesmo foi ter perdido no vestibular da UFBA”, declarou a universitária.

O curso na UESB não é como Natália imaginava. De acordo com a estudante, a grade curricular tem que melhorar, pois não proporciona a realidade do que é o jornalismo atual. O fato de não ter foto jornalismo e jornalismo on-line são outras frustrações que ela exemplificou. Em relação ao mercado de trabalho a universitária alerta: “as portas não vão se abrir, você tem que arrombar mesmo”. Ela falou que apesar de ser uma área muito dinâmica, o jornalismo na região é fechado e as vagas são poucas. Sobre salários, Natália declarou: “a expectativa é a pior possível”. Ela lembrou que a Bahia está defasada nessa questão, e o sindicato dos jornalistas não é muito atuante, tem inclusive, pessoas trabalhando de graça.

Natália é estudante de Comunicação Social/Jornalismo da UESB.“‘Aqui você se faz’; acho que não tem um slogan mais verdadeiro na mídia do que o da UESB” brinca Natália quando pedi que deixasse um conselho para os futuros calouros. “Aqui você se faz mesmo, porque se você não correr atrás, você não terá uma boa formação, devido às várias deficiências do curso”.

A maior preocupação da universitária é cair nas “garras do mercado e ter que se vender”, não podendo exercer um jornalismo honesto e crítico. Natália, que também é conhecida no curso por ter fortes relações com o Movimento Estudantil ressalta: “Não devemos nos acomodar, o Movimento Estudantil é um espaço dentro da universidade para você se desenvolver enquanto ser humano, enquanto pessoa crítica”. Assim foi a passagem de Natália Oliveira por nossa coluna, forte, inquietante e repleta de consciência frente à realidade.

Para Rogério Oliveira, que cursou jornalismo na UESB, e atualmente é repórter da TV Sudoeste, a universidade pública é uma fábrica de conhecimentos com instrumentos velhos.

Perguntei a Rogério algo positivo e negativo da profissão, ele destacou como positivo o poder de repercussão de algumas matérias, de poder dar voz a quem precisa. E negativo, pessoas que não entendem o papel do jornalismo na sociedade, que confundem jornalismo com assistencialismo e vigarice. O repórter também disse: “vaidade é o sentimento mais inescrupuloso da sociedade, e isso na nossa profissão está à flor da pele”.

Rogério é repórter da TV Sudoeste.Rogério lembra que é importante ter raça e gana para você conquistar seu espaço e dinheiro, mas é preciso fazer isso com dignidade. Ao sair da universidade ele aconselha: “Não precisa sair impregnado com o espírito capitalista. Acima de tudo a gente precisa colocar em prática a importância da nossa profissão”.

A respeito do mercado de trabalho, o jornalista falou que é apertado, e por isso os aspirantes devem sair da universidade com um perfil empreendedor. “O jornalismo tem uma máxima que diz: quanto mais velho melhor, ou seja, o jornalista fica muito tempo no meio de comunicação, então, não surge vaga para ninguém”. Ele também falou que o reconhecimento financeiro leva tempo.

Rogério também deixou dicas, como por exemplo: “é bom você levar seu material e ter realmente perfil para a área, depois que se encontrar na universidade deve correr atrás e se mostrar para os meios de comunicação, não pode esperar que eles venham atrás de você”. Como ele mesmo admite, é um apaixonado pela profissão, às vezes é meio utópico, e não esquece de agradecer a Luiz Nova, professor na época de universidade. E finaliza com uma ressalva: “As pessoas não entendem bem o que é o jornalismo. Mas, o que me enche de esperança, é que hoje sou jornalista e estou aí para REVERTER isso”.

Fotos por Diego Ribeiro.

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11 comentários »

  • 1
    Mille :

    Muito bom!
    Gostei dessa “graduação”: primeiro o
    vestibulando, segundo a universitária e por último
    o jornalista.
    Parabéns, tirou a dúvida de quem tinha sobre fazer jornalismo.

  • 2
    enrique :

    Parabéns, Diego!
    Ficou interessante demais com esses três diferentes pontos de vista.
    Tô ansioso para as próximas colunas, tomara que cada vez melhore mais..
    Vida longa ao revertério!

  • 3
    Murillo Fernandes :

    Excelente! Parabéns Diego, o resultado ficou bastante interessante. A idéia de expor opiniões tão contrastantes assim numa matéria é o mais legal de tudo.

    Sucesso pra você e todos os outros do Revertério!

  • 4
    caio :

    bem interessante
    e meu amigo murillo arrasou hehe

    =)

  • 5
    Lay :

    Aspiramos, todos, por essa reversão, citada pelo Rogério.
    Parabéns, Di!
    Apenas ressalvo que, o curso de jornalismo, não é tão ruím quanto se expõem e que cabe a cada um se agarrar aos seus objetivos e lutar pelas oportunidades.

  • 6
    Sâmia Louise :

    Interessante a exposição entre os diferentes pontos de vista.
    Adorei a coluna! ;)

  • 7
    Camila Teles :

    Muito bom, Di!
    E que dê o revertério!

  • 8
    Lidiane Lima :

    parabéns!!!!!! eu esto encantada mesmo!!! você tem talento de verdade! gostei da maneira que você colocou as entrevistas, progressivamente, quem quer entrar, quem já está lá e quem já saiu.
    crítica faz parte e ficou muito legal.
    site bacana.

  • 9
    Henrique Ribeiro :

    Na vida existem muitos tipos de pessoas, dentre elas, dois tipos me chamam mais atenção:
    O 1º tipo, constitui-se por pensadores que não movem uma “palha” pra ver um sonho tornar-se realidade.
    O 2º tipo, constitui-se por aqueles que idealizam um sonho, e trabalham árduamente para transformá-lo em realidade.
    Eu considero você e seus colegas, integrantes deste segundo grupo de pessoas, pois através deste site estão pondo em prática diversos pensamentos contidos em inumeros livros.

    Parabéns!!!

  • 10

    Rapaz, eu ñ qro ser jornalista… ^^
    Mas boa sorte pra vocês, esforcen-se, torço pra TODAS vocês mulheres, vocês merecem… ^^
    Quanto mais mulher na TV melhor!!!!!!!!!!!!
    Viva!!!!!!!!!!!!
    Os macho pode virar jornalista de jornal, e se for botar foto ne revista ou coisa parecida… ¬¬, põe da esposa ou da filha… Viva muler!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • 11

    Acho que o que Natália colocou é uma realidade não apenas do curso de Jornalismo como também de toda a UESB; aliás, posso até mesmo dizer que é uma característica de qualquer universidade: o universitário se faz.
    Universidade é um local para a construção do conhecimento, do modo mais “maiêutico” possível. Ninguém tem que entrar no ensino superior achando que vai ficar recebendo conhecimento o tempo todo parado dentro da sala de aula, e isso a gente sabe desde o prézinho quando as professoras nos amedrontavam contando a diferença deste “mundo” de cá para o aquele mundo delicioso do ensino fundamental.
    Claro que, também, entendi o que ela quis realmente dizer. A peculiaridade de cada faculdade está nas oportunidades que proporcionam para essa já citada construção. Por estar no segundo semestre, não conheço tão bem essas dificuldades que encontrarei (ou já encontro), mas sei que são, sim, afirmadas por muitos formados aqui na casa. ;)
    Verdade é que a gente tem que saber pesar as coisas negativas e as positivas pra poder avaliar o curso direitinho; tem que saber o que é problema da universidade, o que é problema do mercado e o que é problema do próprio estudante.
    Esperamos que toda a parte negativa deste quadro mude, mas, antes de mais nada, precisamos tentar _fazer_ com que ele mude, porque se a gente for depender só dos outros… há!

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