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Pseudo democracia, da Grécia Antiga a Lula.

Por Rafael Almeida Ler mais textos de Rafael Almeida
31 de maio, 2008 | 6 Comentários

Explanando etimologicamente, a palavra democracia tem sua origem na Grécia Antiga (demo=povo e kracia=governo) e foi um sistema de governo desenvolvido em Atenas. Em Latin democracia… Blá, blá, blá. Basta ouvir um discurso político qualquer em nossa atual sociedade, para logo se deparar com lindas frases envolvendo a democracia, verdadeiras declarações de amor a este sistema de governo, políticos que ao menos sabem o que é verdadeiramente um sistema democrático, ou pior, até sabem, porém ludibriam a sociedade com suas belas oratórias, onde perpassam suas ideologias políticas levemente maquiadas com a entusiástica idéia de sociedade democrática.

Esta idéia de poder que emana do povo é um tanto quanto utópica e verdadeiramente impraticável. Desde a velha Grécia, a grande precursora da democracia, a contradição com a teoria foi notória, já que mulheres, escravos e estrangeiros não participavam efetivamente do sistema. A história mostrará a todos aqueles que se dispuserem a adentrar no assunto que, em raríssimas exceções, a democracia realmente foi implantada e praticada de maneira compatível à sua teoria. Entende-se sim, que é uma forma mais participativa, onde há possibilidades de ascensão política dos representantes do povo, ainda que para isto seja travada uma batalha desleal entre pessoas detentoras de poder econômico (que a meu ver não fazem parte do povo, e tenho certeza que assim preferem continuar) e os que fazem parte do memorável e aludido “povão”. Em contextos diferentes pode-se perceber uma maior ou menor possibilidade de conquista genuinamente popular em representações de cargos públicos.

Na democracia indireta, teoricamente, a população deveria votar em seus representantes, ou seja, votar num membro da sociedade que a represente. Dedução obvia, na teoria, porém existe uma quantidade lastimável de contradições que se traduzem em interesses financeiros, uma espécie de alugueis de cargos políticos, do tipo: eu te financio, você convence o povo através da campanha eleitoral, este lhe concederá confiança e é claro o voto, logo, você (o político) estará “representando” o povo, e também me representando (de fato) na Câmara de Vereadores, na Prefeitura, Câmara dos Deputados, no Senado e quiçá no Palácio do Planalto. Isso se o próprio financiador não resolve se “auto representar” em uma destas instituições, já que isto é entendido por alguns como um dos melhores investimentos financeiros existentes. Um exemplo já enfadonho disto é a Bancada Ruralista, onde os políticos representam de maneira explícita os interesses de latifundiários, sendo que foram eleitos pelo povo para que representasse o mesmo, mas na prática a quem eles representam?

O Presidente Lula se apresenta como ótimo exemplo desta representatividade democrática. A princípio seria um verdadeiro representante do povo no poder, a calhar perfeitamente na origem da palavra democracia, isto levando em consideração a afirmação de alguns, pois dizem que ele, o Presidente, foi um metalúrgico, um nordestino de origem humilde, e que seria assim um ideal representante, pois com este histórico ele seria um legítimo pertencente do povo e, assim, estaria muito bem posto em seu cargo de Presidente da República. A grande problemática que envolve o Presidente é o fato de ele ser “povo” num passado bastante longínquo, foi pobre, foi metalúrgico, no máximo ainda pode ser nordestino. É fato a atenção dada pelo seu governo às populações pobres, os investimentos encaminhados às populações mais carentes têm aumentado em seu mandato, poderia ser a princípio a prova de que a lógica da democracia indireta é real, mas se percebe também no Governo Lula o seu outro apadrinhamento, à sua pertencente classe atual, parece elementar que além das medidas paliativas aos problemas sociais, os ricos vão muito bem, os milionários então indo de vento em polpa, os banqueiros nunca lucraram tanto no Brasil. Num resumo de caráter simplista, os miseráveis estão saindo da miséria tendo agora ao menos o que comer, os pobres continuam pobres, a classe média trabalhando cinco meses do ano apenas para pagar os impostos, os ricos ficando mais ricos e os milionários, esses sim, os maiores beneficiados, estão provavelmente caminhado rumo ao bilhão.

É pública e notória a extrema incapacidade que o povo brasileiro tem para escolher bons representantes. O sistema democrático garante por lei o direito do cidadão para que este escolha de acordo seus princípios e interesses o candidato por seu bom grado. Assim sendo, resta a todos a consciência política racional, enxergar que estes representantes são as bases da sociedade, são eles que fazem as leis, que administram as verbas públicas, que têm em mãos o poder da mudança. Enquanto houver interesses particulares permeados nesta política maquiada, os antagonismos do sistema continuarão vigentes na sociedade. A democracia como discurso ideológico será sempre utilizada, os deveres dos cidadãos sempre exigidos, os direitos nem sempre oferecidos, o que dirá respeitados. O sistema democrático de governo atual é falho, em inúmeros quesitos, essas falhas parecem inerentes ao próprio sistema, já que desde seus primórdios este já as apresentava. Talvez não haja solução, talvez esteja na educação a resolução, talvez na maneira de administrar, ou, simplesmente, o homem sempre foi assim e sempre assim será, e resta à democracia adequar-se ao sistema humano de política individual, sobrevivência e dominação.

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6 comentários »

  • 1
    Camila Teles :

    Será que até a democracia vai ter que se adequar a isso?

  • 2
    Lay :

    “os miseráveis estão saindo da miséria tendo agora ao menos o que comer” um plausível comentario que, inclusive, nos leva a crer que, realmente, estamos vivendo essa plena democracia. De fato, isso é incontestavelmente bom para o país, só que é apenas o início do caminho. Parabéns, Rafaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! Muito bom o seu texto.

  • 3

    Não gostei achei cansativo… ¬¬
    E o autor é feio, podia ser uma lindinha, mas fazer o q eu só leio…
    Mas é verdade, rico só fica mais rico…

  • 4
    Tarzan. :

    Otimo texto.
    “É pública e notória a extrema incapacidade que o povo brasileiro tem para escolher bons representantes.”
    Dispensa comentarios.

  • 5
    anny :

    adoooorei o texto, parabéns!
    quem pode mais chora menos, e os pobres ficam mais pobres… ;x

  • 6
    Jr :

    Só não gostei de como vc utilizou de sarcasmo para com a população nordestina, preconceito idiota ¬¬

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