“Só o amanhã dirá”. Quem nunca ouviu ou proferiu essa frase em resposta ao convívio com alguma incerteza? Às vezes é o caminho mais rápido para fugir de um problema, ou a forma mais direta de assumir a instabilidade de uma situação. Mas se em alguns, pensar no futuro provoca a expressão de um simples clichê, em outros instiga a imaginação de tal forma, que acabam por presentear o cinema e a literatura com interessantes obras futurísticas.
Foi o que aconteceu com Aldous Huxley, que já em 1931 idealizou o Admirável Mundo Novo. Nele, o autor previu uma sociedade completamente organizada e dividida em castas. Os bebês chegavam ao mundo por decantação, e já predestinados, eram submetidos ao condicionamento correspondente à sua casta. A droga usual era o soma, doses de felicidade que não davam espaço para questionar o sistema. A visão de uma sociedade totalmente controlada pelo Estado também foi exposta por George Orwell, em sua obra 1984. Nela, esse controle seria exercido pela figura do Grande Irmão. A teletela vigiaria os cidadãos, e a ordem seria mantida por um regime totalitário. Ambas as obras convergem para a mesma reflexão: o caminho que está tomando a nossa civilização, a morte do cidadão como indivíduo, a pseudo-felicidade oferecida pelo sistema, e o acato do homem sem demais questionamentos.
Huxley e Orwell fizeram suas profecias antes de conhecerem a revolução da robótica e da informática. Muito tempo depois delas, chegou ao cinema uma nova previsão de domínio social. Domínio este, porém, não exercido pelos homens, e sim por máquinas. O filme Matrix trouxe para as telinhas do mundo inteiro a assombrosa possibilidade de uma vida ilusória, simulada na cabeça das pessoas pelos próprios computadores, quando na verdade seus corpos reais eram mantidos em habitáculos, em campos de cultivo. Seria a máquina capaz de um dia se voltar contra o seu próprio criador? Os pensadores de Eu, Robô apostaram que sim. Nesta trama, que tem como palco a cidade de Chicago em 2035, homens e robôs dividem o mesmo ambiente cotidiano, até que uma dessas máquinas desenvolve inteligência suficiente para controlar os demais robôs, e se voltam contra os homens. A partir daí um leque de questões é aberto. A possibilidade de um dia a máquina voltar-se contra o homem, numa alusão ao dito de “o feitiço virar-se contra o feiticeiro”, é um dos argumentos conservadores mais utilizados pelos alertas sobre os perigos do desenfreado avanço da tecnologia. Em contrapartida, há quem acredite que a mente humana sempre será capaz de entender e controlar os programas que ela própria criou. Delinear até em que ponto essas obras nos servem de lição, e quando elas passam a ser apenas ficção, ainda é alvo de muitas controvérsias.
E as tendências futurísticas não param por aí. As descobertas no campo da genética também inspiraram produções cinematográficas. Em Gattaca, os pais tinham a oportunidade de manipular a interação entre os seus DNA’s, a fim de gerar filhos com a melhor combinação de suas qualidades genéticas. Isso provocava uma hierarquia e conseqüente preconceito na sociedade, dividida entre Válidos (frutos dessa combinação) e Inválidos (resultantes da relação sexual tradicional). Experiências genéticas também são o centro da trama de A Ilha. Nesse filme, clones humanos são mantidos em um ambiente totalmente controlado sob a mentira de que estão sendo protegidos de uma contaminação mundial, fruto de um desastre ecológico. Na verdade, cada clone foi comprado por um dono, que geralmente por problema de saúde precisará substituir algum órgão. Quando o clone recebe a maravilhosa notícia de que foi escolhido para viajar à famosa Ilha, na verdade, o seu destino será o “abate”. Estas obras abrem discussão para o uso indesejável que pode ser feito do conhecimento genético. E ainda que não intencionalmente, dão vazão aos argumentos religiosos que vão de encontro ao progresso das pesquisas científicas.
Apesar de obras de ficção, essas produções voltadas para a discussão sobre o futuro merecem atenção. Em sua maioria, por trás da ação e dos efeitos especiais, têm uma mensagem filosófica a passar ao público, e por isso devem ser acompanhadas de doses de reflexão. Por vezes essas obras são bastante diretas (a exemplo das que tratam de catástrofes ambientais, como Um Dia Depois de Amanhã), e por vezes são expressas sob forma de metáforas, que merecem ser interpretadas e aplicadas à realidade do nosso cotidiano. O nosso mundo vem passando por mudanças, e cada vez mais aparece um novo palpite acerca de onde tudo isso vai dar. A ciência é mocinha ou vilã? As máquinas merecem a confiança do homem? A sociedade sucumbirá a um domínio totalitarista pelo sistema? O meio ambiente responderá à devastação que vem sofrendo? E em meio a tantas incertezas, que comecem as apostas. Quem irá acertar no fim das contas… bom, isso só o amanhã dirá.





Apesar de não ser sua praia escrever esses tipos de texto, você conseguiu resgastar obras de grande sucesso de bilheteria sem fugir do contexto sobre o que é referido! ;)
Muita objetividade,clareza e coesão!!
Parabéns!
Amo você!
S2
Acho todos esses filmes e tratados sobre o futuro COMPLETAMENTE RIDÍCULOS !!!!!!!
Ao meu ver, não merecem nenhuma AtençãOOO !!!
È óbvio que uma das Leis que regem o Universo, é a Lei do Progresso !!!
Uma Lei onde todos nós somos inexoravelmente pertencentes a ela e que determina tudo, absolutamente tudo que exista na natureza, inclusive nós, seres humanos. Somos condicionados a uma Evolução, tendo em vista a impossibilidade de regredir, posto que, quando alcançado os conhecimentos, estes ficam gravados e até latentes na alma e memória, impedindo tal regressão às suas origens primárias de agressividade, hostilidade, separações e guerras. Portanto, todo este contexto destrutível que fazem com relação ao futuro é simplesmente combatido por um fator lógico da natureza e que estão por aí toda a humanidade, invenções e formas de vida para comprovar !
Esse momento de caos no qual vivemos em pleno século 21 é de extrema necessidade à reestruturação de muitos ramos da sociedade que se encontram em total degeneração, fase para avaliações de conduta, alarmes úteis para que sejam firmados comportamentos morais de alta categoria dentro das famílias e dos relacionamentos humanos, tanto com os próprios humanos, quanto com a própria natureza a qual nos cerca, tudo originário de uma mesma Fonte Sábia !
O que a maioria das pessoas não se atentam… é que, aonde encontram-se misérias abruptas, também encontram-se palácios e ouros demasiados, ou seja, atrás de todo lado caótico da sociedade, têm toda uma mudança, transformação e melhoria, encobertos aos olhos de muitos, os quais só querem ver, mas não enxergam nada. Cegos que são e se rastejam pelo mundo afora !
Todos estes filmes guardam nas entranhas perspectivas que não condizem com a verdadeira ordem do Universo, fazendo das pessoas mais irredutíveis ao verdadeiro conhecimento que é fato, deixando-as mais negativas, cépticas e seres fantasiosos num mundo real. Observar o mundo de um ângulo diferenciado e nítido, é algo que se adquire através, primeiramente, de boas e merecidas análises e reflexões sobre a vida e seus elementos essenciais participativos, atentando para a dinâmica desta e o que ela nos guarda de melhor.
Não se deixem comprar por idéias tão caras nas representações e tão baratas na essência!
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Muito bem destrinchado o tema Saminha!
Gostei muito da matéria!!!
Persanzinho, claro que podemos regridir, olha para nosso colega Ígor, perceba as semelhanças com os primatas inferiores, algo assim como um gorila africano, só faltam os pelos…
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….
essa foi Fod……… !!!!!!!!! rs
Como eu já cansei de dizer: gosto mais de você nessa área. Fica mais objetiva, prática, direta.
Texto muito bem escrito!!!!
muito bom o texto Samia!
apesar de não gostar de filmes assim…
ô menina de talento!
bju**
Você escreve muito bem menina. Parbéns!
Vc já viu Alphaville de Godard? E Metropolis, de Fritz Lang?
Qd puder dê uma conferida.
At.
aff oque eu queo nao tem aki nessa budega!! *-*
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