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Profissão: Fotógrafo

Por Juliana Silva Ler mais textos de Juliana Silva
10 de fevereiro, 2008 | 6 Comentários

A fotografia é um instrumento muito eficaz na reconstrução do passado. No entanto, quando falamos do passado da fotografia em Vitória da Conquista nos deparamos com um enorme vazio, já que são pouquíssimos os registros da história dessa arte na cidade. As informações se limitam ao nome do primeiro fotógrafo conquistense, o químico e artista Manoel Eufrásio Correia de Melo, mais conhecido como Neca Correia.

Foi com a intenção de saber um pouco mais sobre o passado fotográfico de Conquista que convidamos um dos fotógrafos mais antigo do município em atividade, Antônio Francisco da Costa Neto (Kadete), para ser nosso entrevistado de hoje.

Como começou o seu interesse pela fotografia?

Kadete: Desde eu menino que eu gostava de ver aquelas fotografias. Eu ia para a cidade, pois morava em um sítio, e quando eu chegava lá ficava admirado vendo aqueles fotógrafos tirando retratos. E aí eu coloquei na cabeça que ia ser fotógrafo para saber como é que eles conseguiam tirar fotos das pessoas.

Quando o senhor começou a ser fotógrafo?

K: Meus pais a princípio não deixaram eu ser fotógrafo, eles diziam que era profissão de vagabundo. Mas eu fui insistindo, insistindo que quando eu tinha 22 anos eles acabaram deixando. Aí eu comprei minha primeira máquina em 1954. Pra comprar essa máquina foi uma novela, porque eu não tinha dinheiro e nem meus pais tinham. E então o que foi que eu fiz: Peguei emprestado 1000 cruzeiros de um amigo e 1000 cruzeiros de outro e comprei a máquina. Aí o rapaz que me vendeu me ensinou a fotografar, comecei a trabalhar e Graças a Deus deu certo.

Conte pra gente um pouco da sua história como fotógrafo e jornalista aqui em Conquista.

K: Depois que eu comecei a fotografar profissionalmente apareceu a vontade de se repórter. Aí eu partir pra isso, comprei máquinas boas e comecei a trabalhar, comecei a fazer correspondências pra jornais e qualquer novidade que tinha eu fotografava, escrevia e mandava pra eles. Eu cheguei em Conquista em 1970, e aqui trabalhei para o jornal Tribuna da Bahia e para o jornal A tarde.

Como trabalhavam os fotógrafos quando o senhor chegou aqui em 1970?

K: Em 70 a fotografia aqui era mais de estúdio, eles não se aprofundavam muito em reportagem. Só tinha dois fotógrafos que trabalhavam com reportagem, mas só faziam quando eram convidados. Quando eu vim da Paraíba pra cá, lá não tinha o costume de fazer fotografia de estúdio então eu fiquei fazendo fotografias em clubes, fotografando pessoas dançando, pessoas namorando. Foi ai que eu me tornei bem conhecido e meu foto bem freqüentado.

Como se configurava a fotografia há 30 anos?

K: Naquele tempo ainda era uma beleza a fotografia. Eu por exemplo, sábado e domingo não almoçava em casa, porque estava nas festas. Eu cheguei a fazer 60 casamentos por mês, aproximadamente dois por dia. A mulher quando estava grávida chamava o fotógrafo pra fazer a fotografia dela lá pelos sete meses, ela ficava com o cartão e quando tivesse o bebê alguém da família ligava pra ele pra ir lá fazer a fotografia da criança. E era assim também nos aniversários. Antes o fotógrafo era uma figura importante na sociedade.

Como o senhor ver a profissão de fotógrafo hoje?

K.Hoje o fotógrafo não se faz tão necessário. Por exemplo, na hora que a mulher vai para o hospital ter seu filho, leva na bolsa uma máquina digital, não precisa mais do fotógrafo. E isto está acontecendo há mais ou menos 20 anos.

A fotografia profissionalmente hoje acabou. Hoje ainda existe o fotógrafo de jornal e aquele que fotografa modelo, esse sim tá ganhando uma fortuna. O paparazzi também é um empreendimento fabuloso para o fotógrafo atualmente.

O que o senhor pensa sobre o futuro da fotografia?

K: A fotografia está se esvaindo, está se tornando uma coisa esporádica. Eu tenho receio de que em 10, 30 ou em 100 anos não tenhamos mais lembrança do que passou.

Participação de: Anderson Almeida, Mariana Lacerda e Verônica Vilasboas

 
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6 comentários »

  • 1
    Sâmia Louise :

    Muito legal a entrevista. Realmente a gente conhece muito pouco sobre fotografia em Conquista, e é interessante abordá-la, porque, afinal, vamos trabalhar com ela futuramente.

    Parabéns, pessoal!

  • 2
    Lay :

    Jujuuuuuuuu!!!
    parabens, vc mandou muito bem
    desde a escolha do tema até a forma como dirigiu a entrevista

    orgulho!!

  • 3

    entrevista já é a sua cara ju!
    e muito legal ter essa aqui mesmo.. porque o que um trabalho que a gente achava tão chato acabou se tornando experiências interessantes com resultados tão satisfatórios como essa entrevista. ;D

  • 4
    thatiany :

    adoro tudo relacionado a fotografia

  • 5
    Paloma :

    Gnate eu toh preisando urgente de uam profiisao que começe com letra k e y trabalhO de escola se alguem souber por favor deiixe a resposta…
    Obrigadaaa

  • 6
    bruna :

    OI

    Quero fazer faculdade de fotografia, mas ainda não sei se vale a pena, estou lendo mt sobre esta profissão, se alguém quizer me ajudar……

    brunagauderia|@yahoo.com.br

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